A César o que é de César. E o que é da mãe?

Faz tempo que não polemizo, né?

Sobre essa história da grávida levada para a cesárea por determinação judicial, uma ideia para debate: muitas das pessoas que repudiam o caso utilizam argumentos de direitos humanos em seus ataques. E os direitos humanos, em sua extensão, englobam o posicionamento “pro-life” (contra o aborto), chegando a cobrar uma legislação que garanta direitos civis a um feto, privando as mães de escolhas que possam prejudicá-lo (“pro-choice”).

Se assim fosse, o caso de Torres-RS parece perfeitamente lógico: uma avaliação técnica da médica estabeleceu a melhor conduta para a vida do feto. A conduta foi negada pela mãe, cuja escolha foi alegada como perigosa à vida do ser vivo dentro dela. O Estado, através da Justiça, toma ações que garantam o direito da bebê, com base na avaliação técnica e científica da obstetra responsável, e não da emotiva e ideológica da mãe ou da parteira. Nada mais plausível. O que poderia ser questionado é o parecer da médica.

Obviamente, sou contra o exercício de poder indiscriminado sobre a população, e acho que médica e juíza se excederam em suas ações, e que a mãe, já tendo isentado o hospital de responsabilidade, deveria proceder como achasse melhor (inclusive tendo que responder criminalmente, em caso de problemas, por ter assumido o risco). Mas eu sou um “pro-choice” convicto, para quem o direito sobre o próprio corpo é incontestável, independentemente do que haja dentro dele.

Ou ecologistas intergaláticos seriam contra a Tenente Ripley, por causar risco de extinção à forma reprodutiva natural dos Aliens.

André

Geração λ

(Isto era um comentário a um post do facebook, com ligeiras alterações, portanto, curto)

Já li muitos artigos comentando as mesmas coisas sobre a geração Y (que nos achamos especiais, que queremos reconhecimento rápido sem trabalho duro, que não sabemos lidar com frustrações, e blá blá blá que você encontra em qualquer outro blog).

Mas nunca nenhum considerou um fato importante: a nossa necessidade de investimento é infinitamente maior do que a da geração X. Nossos pais tinham que ralar muito, sim, mas conseguiam criar carreiras começadas apenas com o colegial (atual Ensino Médio, caso eu esteja velho demais) ou um curso técnico. Os Y’s não fazem mais que a obrigação em ter nível superior, falar outros idiomas e, em muitas áreas, ter especializações e pós-graduação. Quanto tempo e dinheiro investidos isso consome?

E só depois disso é que os Y’s são considerados verdes para o mercado (antes nem de adubo serviam), com uma idade em que os pais já estavam se consolidando onde estavam, ainda que sem realização pessoal. Existe, sim, a frustração de muitos de nós, mas ela também é parte de vivermos numa época em que temos que dar mais ainda para obter menos do que antes.

André

Insisto na igualdade

Aviso: os parágrafos seguintes trarão o maior #HATERSGONNAHATE da História da humanidade. Mas ainda assim os escreverei, pois poderá ser um texto aclamado em uma sociedade menos primitiva.

Sabem qual vai ser a próxima polêmica na luta pelo direito das pessoas se amarem? Pararem de condenar o incesto. Primeiro nas horizontais das árvores genealógicas. Depois, quem sabe, nas verticais.

Em última análise, não há razão lógica para que dois indivíduos ADULTOS e de posse de suas plenas condições de entendimento e decisão não possam se gostar, independentemente do grau de parentesco. Primeiro, a prática era bem antiga nas realezas. Segundo, sanaria muitos problemas de relacionamentos prejudicados pelas projeções de complexo de Édipo e Electra, e todos os similares cujos nomes nem conheço.

O primeiro argumento contra será a enorme chance de filhos nascerem com problemas. Mas quer maior problema conceptivo do que o não nascimento? E é esse um dos que usam para combater a união homoafetiva.

O segundo vai ser um ataque direto a quem pregar a ideia, dizendo que ele ou ela quer praticar incesto. Ora, não quero quero pegar minhas irmãs ou minha mãe tanto quanto não quero casar com outro homem, e nem por isso vou ser contra quem é feliz assim.

Aí começa a fase de argumentos difusos (não sem antes passar pelo estágio dos comentários jocosos e de escárnio): não é de Deus, a sociedade vai se desestabilizar, família de verdade é um marido e uma mulher não parentes… Então chegam os ativistas, lembrando que um dia pessoas de cores diferentes não podiam ficar juntas, um dia pessoas do mesmo sexo não podiam ficar juntas, e um dia pessoas da mesma família poderão ficar juntas!

Muitos tweets, memes, posts, curtidas, compartilhamentos, ou seus análogos no que estiver em voga na tecnologia da comunicação… Pressão sobre políticos. A primeira Lei em algum país!! Protestos de todos os lados, Bolsonaros e Felicianos da época… e por aí vai.

Até que, um dia, um casal formado por irmãs gêmeas bivitelinas de cores de pele distintas lerá esses bytes para seu filho, mostrando como a sociedade do início do século XXI era mais próxima da Idade dos Metais do que do seu tempo, e que demorou até que descobrissem que o melhor caminho para a felicidade era não interferir na felicidade alheia.

Xingamentos em 3, 2, 1…

André

Grade horária neorrenascentista

Antes de mais nada, leiam esta matéria. Se ela não lhes causou mais indignação do que a morte do Chorão ou do Chávez, vocês não são o público-alvo deste post, e já podem parar por aqui. Se não superaram a preguiça de ler, e aceitam tomar um resumo por verdade para seguirmos adiante, conste que o Governo de SP decidiu alterar o currículo dos três primeiros anos do ensino fundamental das novas escolas integrais, retirando da grade as disciplinas de História, Geografia e Ciências.

A discussão do absurdo e retrocesso dessa medida pode ficar nos comentários da matéria. Aqui, quero falar do potencial que uma escola integral tem de formar pessoas melhores. Quão melhores? Melhores no nível da Renascença, período de grandes gênios que dominavam todos os campos do conhecimento ao mesmo tempo. E é um potencial que já vai começar sendo desperdiçado.

Em primeiro lugar, durante minha 5a à 8a séries (2o ciclo do ensino fundamental atual, 6o ao 9o anos, ou antigo ginásio), só tive aulas em um período do dia (manhã), com 5 aulas diárias, de 50 minutos cada. Isso não impediu que eu tivesse um curso enfático em Língua Portuguesa e Matemática, que respondiam por 5 aulas semanais cada, mas também não impediu que eu tivesse uma boa distribuição das outras disciplinas nos 15 horários restantes, a saber: História, Geografia, Ciências, Inglês, Educação Física e Educação Artística.

Em segundo lugar, diferentes crianças têm diferentes habilidades e facilidades: umas despontam logo cedo para a matemática, outras são mais artísticas, outras dominam a linguagem com mais destreza, outras têm maiores aptidões físicas etc. Até que um indivíduo tenha maturidade para reconhecer seu campo de, digamos, talento, e opte por desenvolvê-lo e especializá-lo, é papel do educador fornecer todas as ferramentas básicas para que essa escolha futura não seja influenciada por deficiências de aprendizado. No modelo proposto pelo Governo de SP, imaginem quantas crianças podem nunca descobrir que seriam boas cientistas, ao mesmo tempo que nunca seriam boas linguistas, saturadas por uma disciplina que nunca foi seu forte.

Em terceiro, e, na verdade, a essência de todo esse texto, imagino uma grade horária integral, hipotética, composta por dois períodos de 5 aulas cada, o dobro do que era no meu ginásio (e primário que, embora não tivesse diversos professores, possuía a mesma duração). É uma oportunidade tão boa que até tive dificuldades em preencher todas as lacunas com matérias, mas eis o que consegui:

Alguns detalhes a serem ressaltados:

- os horários de entrada e saída, embora hospedem as crianças por 11 horas e meia dentro da escola, facilitam a logística da maioria dos pais, que podem deixá-las mais facilmente antes de irem ao trabalho, e buscá-las após o expediente, sem que elas fiquem esperando muito tempo;

- após cada aula há um pequeno intervalo de 10 minutos, para que os professores possam trocar de sala, e os alunos tomarem água, irem ao banheiro e darem uma espairecida, antes de iniciar um novo ciclo de 50 minutos de atenção. Era um sistema utilizado no cursinho Anglo;

- os intervalos maiores, após 3 aulas seguidas, servem para um lanche para repor as energias, e já são prática comum nas escolas;

- as aulas de Educação Física, antes do almoço, visam ao corpore sano para uma mens sana, e não significam aula “de brincadeiras”, “de pega-pega” ou “de jogar bola”. Embora possam abranger tudo isso, devem fundamentalmente buscar o condicionamento físico e aeróbico, a disciplina e a extravasão da ansiedade e adrenalina das crianças;

- o horário de almoço, de uma hora e meia, contém tempo suficiente para um banho após a aula anterior, alimentação balanceada e um período de descanso, preferencialmente com alguns minutos de sono, sabidamente benéficos para o aprendizado;

- as aulas de Língua Portuguesa e Matemática, priorizadas na grade, correspondem a uma aula matinal e vespertina de cada, todos os dias da semana, para gerar frequência e hábito no seu estudo;

- com 10 aulas de Língua Portuguesa, há tempo suficiente para a alfabetização, gramática e ortografia, interpretação de textos, redação e literatura;

- com 10 aulas de Matemática, há tempo suficiente para os campos aritméticos, geométricos, de conjuntos e de resolução de problemas, e para exercícios de fixação;

- as 5 aulas de Inglês são distribuídas de modo a manter contato diário com o idioma, facilitando seu aprendizado;

- a carga horária de Ciências deve contemplar conteúdo teórico, práticas demonstrativas e experimentação por parte dos alunos;

- as aulas de Educação Artística, ao fim do dia, permitem que a criança saia do ambiente escolar com a mente aberta, apreciando o mundo exterior com outros olhos, evitando, assim, a alienação. Não significam aulas “de desenho” puramente, mas devem introduzir na criança o conhecimento de todos os tipos de arte visual, musical, teatral e de dança. Com isso, particularmente, pode-se evitar grandes preconceitos futuros;

- as disciplinas de História e Geografia, além de terem as cargas aumentadas em valores absolutos, estarão em equilíbrio com as demais, evitando comparações depreciativas do valor de seus estudos e propiciando a formação de senso crítico desde cedo;

- se 1/5 de cada disciplina na semana for ministrado em computadores, ensinando recursos e aplicações, obtém-se um curso de Informática de bônus;

- com toda a carga horária (8h20min/dia x 5 dias), há tempo suficiente para que exercícios e estudos sejam realizados dentro de cada disciplina, não havendo necessidade de lições de casa diárias que comprometam o tempo de lazer e descanso das crianças. Contudo, tarefas semanais ou quinzenais podem contribuir para a organização e independência dos alunos.

Dessa forma, o currículo dos alunos não só fica completo, como equilibrado, propiciando condições de desenvolvimento em todas as áreas, além de ser quantitativamente mais amplo.

distribuição de horas

Claro, é uma grade idealizada, concebida apenas com minha imaginação e uma planilha do Excel. Mas, tirando a ordem das aulas, rodiziada entre as salas para otimizar a disponibilidade de professores, não vejo grandes empecilhos para viabilizá-la. Pelo menos não mais do que os encontrados para eliminar matérias tão importantes na formação das crianças.

André

Pró-História

Curioso como a gente guarda umas coisas que aprende no ensino fundamental de forma tão convicta que conseguimos reproduzir alguns tópicos como se estivéssemos com os livros de Estudos Sociais e Programas de Saúde no colo. “O vento é o ar em movimento”. Não sei se é a rima, mas nunca hesitei em definir a ação eólica exatamente com essas palavras.

Duas dessas definições da infância, particularmente, têm me vindo à cabeça nos últimos meses, e sobre elas quero refletir. Ao chegar na 5a série, hoje 6o ano, comecei a ter a matéria de História. Era uma grande mudança: deixei os livros de Estudos Sociais e uma tia que lecionava todas as disciplinas para adotar um livrão com professor próprio. Chamava-se Valter, e começou por tentar explicar o que seria nosso objeto de estudo naquele ano.

Eis as frases: “A Pré-História é o período que vai desde o surgimento do homem até a invenção da escrita.” “História é o período que vai desde a invenção da escrita até os dias atuais.” O intervalo aberto no domínio da História propriamente dita, embora me fosse ensinado em 1994, fica válido até hoje, já que os “dias atuais” vêm me acompanhando. E eis que vivemos a História a cada minuto.

Aí paro pra pensar nos historiadores e em como eles trabalham. De forma leiga e resumida, eles precisam encontrar dados passados existentes e criar interpretações sobre eles. Isso cria um viés muito importante: o trabalho é limitado pela existência das informações. Por exemplo, o professor Valter me explicou sobre o Egito Antigo, sobre a Pedra Roseta, a vida dos faraós e seus sacerdotes. Tudo graças aos registros dos escribas da época. Mas quem tinha escribas ao seu dispor há 3500 anos? Sabemos algo dos escravos hebreus pelas Escrituras judaicas e do Velho Testamento. E sobre a população ordinária, os súditos dos deuses vivos? Somente o que era citado pelas outras classes, e pelas interpretações de artigos não escritos encontrados (utensílios, vasos, pinturas, restos de construções etc), da mesma forma que fazem com estudos pré-históricos.

Como saber o que a Dona Osireide comeu com seus filhos Amonzinho e Razinha no almoço comemorativo da cheia do Nilo? Como era a relação das crianças com o gato sagrado da família (como sabem, os egípcios adoravam os animais, como o gato, o crocodilo e, principalmente, o boi)? São respostas talvez conhecidas de pesquisadores muito especializados.

Seria diferente daqui a 3500 anos. Qualquer historiador poderia ter acesso ao que a Dona Ozyreia comeu hoje, e como Amonédison e Rahzianna adoram seus bichanos: bastaria acessar os arquivos do instagram em algum museu cibernético local, e escolher entre as zilhões de fotos de comida e de gatos do século XXI.

Nunca antes na história deste planeta houve tanto acervo como após a revolução digital. Se precisamos de um marco, que conste a popularização da internet no final dos anos 1990. Após ela, a quantidade de registros de todas as classes, em praticamente qualquer sociedade, cresceu vertiginosamente. Não há comparação com a disponibilidade de dados de antes.

Por essa razão, julgo que talvez fosse hora de mudar as definições do professor Valter e seu livrão. A Pré-História fica como está, “do surgimento do homem até a invenção da escrita”, mas a História propriamente dita deveria começar com a revolução digital, “até os dias atuais”. O período da invenção da escrita até os primórdios da era internética (intervalo fechado) ficaria conhecido como Pró-História. É uma época de registros, mas em escala muito menor, e que caminha para essa vastidão de informações disponíveis hoje, daí o prefixo pró-.

Sim, no meio desse mar de potenciais documentos existe muito lixo boiando, coisas que historiadores futuros terão que ignorar para poder desenvolver uma análise crítica. Pode até mesmo ser que este blog cá não goze de nenhuma importância histórica ou antropológica. Mas será uma mudança de paradigma do trabalho do pesquisador: em vez de ter que descobrir o que existe, deverá filtrar o que tem à mão para poder gerar interpretações relevantes.

Quantos erros os paleontologistas não cometeram por imaginarem dinossauros de um determinado jeito, quando acharam uns poucos ossos, e viram que eram totalmente diferentes ao acharem ossadas completas? O Iguanodon é um exemplo perfeito, também aprendido na época da minha esponja pueril de conhecimento.

Fico pensando se meu professor pró-histórico sentiria orgulho dessas ideias, ou se sentiria ameaçado de ter ficado obsoleto.

André

Literatura no metal (Part III)

Música: Power Symphony, “Shores Of My Land“, (Evillot)

Livro de inspiração: Eneida (Virgílio)

**

**

“A stranger will come sent by the Gods
his land lies destroyed
A king comes to build a new throne

*

Beautiful Ilium your name is well known
rumours have brought us the news of your fall
I see your ruin I see my own I see my own

*

Heroes of the land take your lances in your hands
put your armour on follow me to the shore
we shall gather at the ships we shall face the foreign king
We shall win

*

Shores of my land, war will be soon
blood onto you
will flow as the flames will arise

*

Powerful heroes your names will be known
None will forget of your pride and your worth
I see your ruin I warn you all
rumours of war

*

Heroes of the land take your lances in your hands
put your armour on follow me to the shore
we shall gather at the ships we shall face the foreign king
We shall win

*

No more I’ll wonder at the sun rising from this waters deep
Trojan ships are sailing through heading for this land

*

Merciless Gods who never mind of mortal men
my time is at hand but proud I will stand
Souls of the elder welcome me when I have gone
my fate is sealed my battle is lost
And I am lost with my land
all I have done after all it has been in vain.

*

He comes from the fabled Troy
Aeneas his name

*

Shores of mine… Shores in flames.”

***

Blog do André

As regras do Prog Metal

Inspirado nas listas de Power e de Black Metal.

**

Como ser um True Prog Metal, para músicos e fãs.

Intro

1 – Todas as regras derivam desta: você sabe MUITO! (regra Mãe);

2 – As pessoas precisam saber que você sabe muito;

3 – Suas músicas precisam conter tudo o que você sabe de técnicas, que levaram uma vida inteira para serem aprendidas;

Part I – das músicas

4 – Para caber todo seu conhecimento, suas músicas têm que ser longas. Quão longas? O suficiente para fazerem as chamadas “épicas” do Power Metal parecerem jingles;

5 – Você não pode saber muito só de música: estude bastante vários assuntos; eles servem de fontes para as composições;

6 - As músicas devem ser recheadas de referências, algo que demande notas explicativas nos encartes;

7 – As referências podem ser musicais ou dos diversos conteúdos que você estudou, preferencialmente os dois;

8 – Os gênios da música clássica são excelentes referências;

9 – Você pode citá-los com uma colagem orquestrada de abertura (que você chamará de Prelúdio), mas é bem mais true prog tocá-los no próprio instrumento;

Part II – dos músicos

10 – Chega de guitarristas aparecidos: todos na banda são aparecidos e tocam muito;

11 – Todos os virtuosi precisam de espaço: todos solam;

12 – Para caberem todos os solos, aumente o tamanho da música (vide 4);

13 – Para ainda assim caberem mais solos, abuse de duetos;

14 – Não restrinja duetos a “guitarra + x”; uma base de guitarra durante solos de bateria e baixo é true prog!;

15 – Se conseguir uma base de vocal, é ainda melhor;

16 – O tecladista tem que ser a reencarnação do Bach ligada na tomada;

17 – O vocalista é o que menos aparece. Pode até estar ausente, como normalmente o faz na hora dos solos, para não ficar 10 minutos deslocado no palco;

18 – Mas, se quiser ter um vocalista, ele tem que ser muito bom;

19 – Contratempos. Contratempos demonstram técnica rítmica apurada. Use-os sem moderação;

20 – Baterista, reserve a caixa para contratempos. Marque os tempos no chimbal;

Interlúdio – mais música

21 – 4/4 é para amadores; utilize fórmulas de compasso diferenciadas, de preferência compostas;

22 – Se não consegue se decidir por determinada fórmula de compasso, está com sorte: trocar de fórmula várias vezes numa mesma música é true prog! Na dúvida, vide 4;

23 – Aliás, a progressão é o barato: comece com uma coisa e acabe em outra completamente diferente;

Part III – dos álbuns

24 – Extrapole 23 criando várias músicas dentro de uma faixa, e nomeie cada uma com “part” e um número romano;

25 – Estude números romanos; só I, V e X podem não ser suficientes;

26 – Assim como várias músicas podem criar uma faixa, várias faixas podem gerar uma peça maior. Chame-a de “Suite”;

27 – Distribua as faixas de uma Suite como quiser: podem ser em sequência em um mesmo álbum, mas se estiverem espalhadas nele fica mais true prog!;

28 – Se espalhar em vários álbuns, fica mais true prog ainda!;

29 – Se conseguir distribuir as faixas das Suites em bandas diferentes em que você toca, você é muito foda!;

30 – Um recurso muito comum é abrir uma Suite numa faixa, e anos depois criar um álbum conceitual inteiro para completá-la;

31 – Literatura é uma fonte prolífica de temas para Suites. Leia bastante (vide 5);

32 – Epopeias no idioma original e em versos são fontes true prog que fazem músicas pseudoépicas de Power Metal parecerem contos de fadas, e curtos (vide 4);

33 – Seja qual for a fonte literária escolhida, a abordagem é crítica. Componha a letra de modo que ela possa ser usada em defesas de teses de cursos de Letras;

Part IV – dos fãs (prelúdio)

34 – Reforce a regra 31: seus fãs lerão as fontes literárias utilizadas e compararão com a música para ver se você compôs direito;

35 – Aliás, seu fã o venera, mas é seu maior crítico; vacile na frente dele e estará destruído. Por isso, sempre retorne pra regra Mãe;

36 – Fãs de prog tocam algum instrumento;

37 – Fãs de prog querem formar uma banda de prog, mas só os que sabem muito conseguem;

38 – Uma banda de prog cover tem o mesmo valor de uma prog de música própria; de qualquer forma, tem que saber muito pra tocar em uma;

39 – O público de uma banda de prog cover está mais ávido pra vê-lo errar do que se os originais estivessem no palco;

40 – Mas é quando você não erra que ganha o mesmo respeito dos originais;

41 – Com esse respeito, você transforma os fãs em alunos (regra Mãe);

42 – Você perde alunos rapidamente, por eles não conseguirem aprender tanto;

43 – Forme uma banda de prog com seus melhores alunos e comecem a compor ou tirar as músicas;

Part V – Progging

44 – Repare: o termo “prog” tem mais peso que “metal”;

45 – Tudo bem sua banda de prog metal ter músicas menos pesadas que algumas de prog rock (vide 44). Só se certifique de que elas contêm muito conhecimento na composição;

46 – Tudo bem compor baladas, contanto que sejam longas ou sejam Parts de uma faixa longa;

47 – Esteja ciente de que baladas longas tocadas ao vivo dão sono no público;

48 – A menos que você seja do Dream Theater, dose o número de baladas escolhidas para o setlist;

49 – Baladas são um excelente meio para usar instrumentos diferentes, muitas vezes acústicos; virtuosismo em todos eles!;

Part VI – dos músicos (segue)

50 – Virtuosi não precisam de powerchords; acordes completos com intervalos raros denotam conhecimento;

51 – Conseguir peso com acordes completos é só pra quem manja muito;

52 – Arpeje seus acordes bizarros; dê peso nos arpejos;

53 – Arpeje mesmo no baixo;

54 – Se você reclamar que não tem as notas à mão pro arpejo no baixo, é porque seu baixo não tem cordas suficientes, ou você não tem técnica o bastante. Provavelmente ambos;

55 – Baixos de 6 cordas, mínimo;

56 – Se você for o Geddy Lee, pode usar um baixo de 4 cordas (vide 44 e 45);

57 – A guitarra também pode ter mais de 6 cordas; facilita pra evitar afinações bizarras a cada música;

58 – Tenha afinações bizarras mesmo com muitas cordas na sua guitarra ou baixo;

59 – Virtuosismo > velocidade, nunca se esqueça! (vide 44);

60 – Virtuosismo + velocidade = true prog!;

Part VII – live & stuff

61 – Defeitos em algum instrumento são uma ótima oportunidade para os demais integrantes improvisarem jam sessions. Improvisações são só pra quem sabe muito;

62 – Jam sessions levam fãs à loucura e os fazem esquecer que não viram o show por que pagaram (só cuidado com a regra 35);

63 – Jams implicam conhecimentos de jazz, outra rica fonte musical de referências para serem somadas aos clássicos da regra 8;

64 – Além de jazz e música clássica, conheça outros estilos musicais para enriquecer suas composições. Regra 6: quanto mais referências, melhor!

65 – Desencane de colocar as notas explicativas das referências nos encartes e deixe que os fãs preencham nas páginas da Wikipedia;

66 - Retome a regra 19 e capriche mais nos contratempos;

67 – Nos shows, incite a galera a bater palmas com a música, mesmo que os contratempos tornem isso impossível;

Part VIII – fãs revisited

68 – Fãs de prog treinam o ritmo das músicas em casa para conseguir acompanhar as palmas em contratempo durante o show;

69 - Como fã, estude bastante para reconhecer as fontes citadas por seus ídolos e poder preencher as páginas da Wikipedia antes dos outros;

70 – Se for cantarolar uma música, nunca perca o tempo de reentrada do vocal, por se distrair após o longo solo;

71 – Ao assistir a um show, posicione-se em frente ao músico que toca o mesmo instrumento que você, para poder aprender e avaliá-lo ao mesmo tempo;

72 – Ao conversar com outros fãs, utilize a regra 2 com o mesmo rigor dos compositores. Não se preocupe em parecer chato; eles também estarão empenhados;

73  - Agrupe Suites em playlists e descubra que elas se emendam tão bem como com as faixas sequenciais de seus álbuns;

74 – Tente convencer seus amigos não true prog fans da beleza das referências e das técnicas empregadas. Em vão.

75 – Desista até de convencer seus amigos de outros estilos de metal, e conforte-se com a regra 44;

Part IX – epílogo

76 – Preste sempre atenção em números cabalísticos (3, 6, 7, 11 e suas variações) e simetrias nas faixas, músicas e discos para poder apontar nas referências da Wiki;

77 – Crie divisões para os blocos de regras, e nomeie-as como Parts, e fique se achando por acreditar que fez algo parecido com esses gênios.

***

André



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