Exposição – uno

Lupíada

Canto I – dedicatória, invocação, proposição


À dura gente ignara que há anos vem surda

e a mágica toca só por lenda absurda

dos que a caninos e varos assassinam em dor cruda:

*

Seres que a morte só conhecem ativa

e, arrogantes, a vida, desprezam cativa

pra seu suco sorverem de forma extrativa,

*

são amados por ela que crê ser história

e películas louva por perder na memória

quem são seus algozes de beleza notória.

*

Infiltrados no mundo espalham seus contos

manipulam a verdade sem dá-la de pronto

e mais com suas presas controlam o encontro.

*

A esses que em senso cultuam o vampiro

crendo ser vero o que fazem em retiro

dedica-se o canto do lupino suspiro.

*

Sós não estão na existência infinda;

dividem-na aqueles que, na noite bem vinda,

uivos ecoam a uma líder tão linda.

*

Constância imiga não a têm cortesã

ao contrário, oscilam em frequência quartã

e a dor, bumerangue, em visita é irmã.

*

Fraterna, acompanha até o fim dos seus passos

rasgando-lhes cútis sem menor embaraço

cada vez que a Mãe lhes ordena do espaço

*

que os filhos hirsuta aparência retomem

e feição social diária abandonem

e assumam a do monstro mensal lobisomem.

*

Espécie, em soma, já vai quase extinta.

Perseguem-na os vis com caça indistinta.

Hoje urge um legado que por ela não minta.

*

Testamento que vem!, para musas não rogo

que aos homens o canto atendiam tão logo

nem a deuses Antigos; no passado os afogo.

*

São da alma mortal, que salvável, cultua.

Aqui, preferível, é invocar com a voz crua

a Mãe, que transforma, e nos guia: a Lua.

*

Do seu servo permita cantar o trajeto

que pra ver vário loco dispensa objeto

e por vingança em foco definiu seu projeto.

*

De sua vida passada o que restou na lembrança

a seu encontro com mestre que rendeu-lhe esperança

de a ira suster com aprender temperança.

*

Do sábio tutor que ao milênio viu fim

autorize o relato com sua luz de marfim;

justifique a vendeta que o impele assim.

*

E do encontro com aquela de estirpe nativa,

que, veloz, o vencera em assombrosa invectiva

e contou-lhe alcateia que surgiu preventiva

*

ao excesso dos frios predadores marmóreos;

para uns trucidar com prazeres corpóreos

com raiva ajudou aos nojentos inglórios.

*

Devoção inconteste amarrou-lhe-na o peito

a ponto de a vida, por ver-lhe perfeito,

entregar na contenda já dada sem jeito

*

impondo guinada na sorte incerta.

Com toque migraram a paragem deserta

deixaram plateia ao leu boquiaberta.

*

Narrar-lhes o desfecho que trará jubileu

e ao Filho da Lua o que mais sucedeu

permita-lho e exponho: esse lobo sou eu.”

***

André apud Blog do André

2 Respostas para “Exposição – uno”


  1. 1 Aline Martins 06/01/2011 às 11:51 pm

    Estou de boca aberta! muito bom!
    eu quando escrevo dificilmente sigo metrica… parabéns!

  2. 2 Natália C. Azevedo 28/01/2011 às 2:53 pm

    Nossa, que legal! Muito bem escrito. Eu tenho dificuldade para escrever em versos, muito menos com rimas e com métrica!
    Parabéns!!! Fico feliz por conhecer outros veterinários fãs das letras. \O/


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s




Andy’s twitter


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 176 other followers