Um projeto desenvolvido por meu primo e por mim, as músicas genéricas consistem em, dado um certo estilo, depreender suas características principais, como temática, vocabulário, ritmo, timbres e gestos, de modo a compor uma obra que, aos ouvidos de qualquer outra pessoa, despertará a sensação de que já ouviu a música em algum lugar. Curioso é que alguns chegam a jurar ter escutado, tentando lembrar quem são os intérpretes originais, geralmente com um “como era mesmo o nome deles?”
Alguns exemplos de músicas genéricas podem ser encontrados na internet, provavelmente com o mesmo tipo de inspiração, mas certamente não da forma consciente e ampla que caracteriza o projeto. Creio que um dos melhores é “Cagar é bom“, incorporando o espírito da bossa nova.
O primeiro fruto dessas pesquisas se deu na década de 90, no auge da dance music dos puts-puts-pupuputs, quando meu primo, Henrique, chegou com as frases “Ooo everybody needs somebody, oo everybody needs someone” devidamente ritmadas, a ponto de qualquer frequentador das matinês de Kripton ou Reggae Night se exaurir de tentar encontrar a música em um dos seus CDs das 7 Melhores Jovem Pan.
De lá pra cá, entre outros (como funk), nasceu-me a ideia do pagode genérico. Infelizmente, antes que eu pudesse divulgá-la aos sete ventos, o Casseta & Planeta também lançou uma versão sua, daquelas que fazem o trabalho parecer uma cópia. Em todo caso, recentemente adicionei alguns versos ao refrão, e creio que seria engraçado compartilhar.
: (10)
“Volta pra miiiiim!
Sem você eu não sou nada,
tô numa deprê danada.
Então volta,
por favô-or,
pra miiiiim!
*
Eu tava na pendura e tô sofrendo a amargura
de ter você no coração.
*
Mas se ligo lá da esquina pra saber dessa menina
sei que vou ouvir um nã-ão.
*
E a dor que dá no peito e eu não sei tratar direito
só se sara com vocêêê!!
Então…
*
Volta pra miiiiim!…”
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André
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