Dia Internacional de qualquer coisa

Antes de mais nada, juro que não será um post misógino! Leiam, releiam, e voltem pra dar uma olhadinha cada vez que terminarem um parágrafo.

Hoje é o Dia Internacional da Mulher, e eu mesmo dei os parabéns para todas que encontrei. Aí uma amiga comentou em seu facebook que não gosta da data. Sente-se “como se tivesse sido contemplada com uma vaga de cota racial”. Outra, em seu twitter, mandou diversas ironias focadas na luta pelos direitos femininos versus a conveniência do sexismo em questões sociais (o que eu esperava ler de um cara). Em ambos os casos, elas pregavam a igualdade absoluta, sem mais.

Trata-se de uma mudança de postura que enxergo como positiva. Claro, se pensar na data como uma comemoração dos direitos adquiridos pelas mulheres, e uma lembrança de que muito ainda se tem pra fazer, ela se torna totalmente válida. Também vale como comemoração simples, como Dia das Mães, Dia das Crianças etc; uma data para mimar determinada categoria, mas sem nenhuma aspiração a mudar o mundo.

Mas a reivindicação dessas meninas contra a data e a favor de uma igualdade me leva a uma questão importante. Preconceito é errado. Ponto. Não há o que se discutir a respeito, não se pode haver brechas para ele em nome da liberdade de expressão. Por isso, é preciso erradicar essa praga da nossa cultura, em qualquer aspecto que seja, até mesmo no que chamo de “preconceito reverso” (acreditem, em muitas discussões, sou considerado errado de antemão: sou homem, heterossexual, branco, de escola particular e faculdade pública, batizado na igreja católica. Por conta disso, julgam que sou incapaz de entender questões de preconceito).

Uma das formas de tentar se livrar desse mal é o que fazem hoje: diversos focos de afirmação dos que sofrem preconceitos, buscando lutar pelos seus direitos e por alguma compensação pelos prejuízos sofridos. Não nego, em absoluto, a importância dessa luta: contra uma frente consolidada de opiniões preconcebidas, só mesmo uma força diametralmente oposta para tentar um equilíbrio a longo prazo. E assim as paradas do orgulho LGBT, a lei Maria da Penha, o dia da consciência negra e tantos outros eventos provocam, sim, alterações culturais benéficas.

Mas não eliminam o que enxergo, IMO (usando uma sigla aprendida hoje), como a raiz de todo o preconceito: a discriminação. Embora corriqueiramente usada como sinônimo, a palavra, semanticamente, precede o preconceito. O dicionário online UOL Michaelis define discriminar como “vtd 1 Discernir: Discriminar as causas de uma situação. 2 Diferençar, distinguir: Já os olhos mal discriminavam os caracteres. 3 Separar: Discriminar argumentos, razões. Discriminava bem umas das outras razões. 4 Classificar especificando; especificar. 5 Tratar de modo preferencial, geralmente com prejuízo para uma das partes.” Aproxima-se do mal analisado apenas em sua quinta acepção, estando as outras focadas na diferenciação, classificação de categorias.

E toda categorização se baseia em agrupar semelhantes em nichos diferentes uns dos outros. O que significa partir da premissa de que as coisas são diferentes, mesmo sem ter dado ainda nenhum julgamento de melhor ou pior a elas. Portanto, as afirmações contra o preconceito não podem promover a igualdade, pois só combatem a etapa dos julgamentos, mas ainda consideram as diferenças.

Assim, se existe mesmo uma forma de combater preconceito, é nos livrando da discriminação e tratando todos como iguais. Só sei que é muito difícil não reparar em determinados parâmetros, já que aprendemos a classificar tudo desde pequenos. Nossas noções de preferência nada mais são do que resultados de uma discriminação seguida de julgamento positivo. Fora aquelas que nem são julgadas. Há uma forma mais fácil de explicar como chegar a um prédio do que “vira lá onde aquela kombi rosa entrou”?

André

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1 Response to “Dia Internacional de qualquer coisa”



  1. 1 Ronnie Von da depressão « Andy Moreno’s Blog Trackback em 03/09/2012 às 8:24 am

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