Crítica de cinema

Como meu blog cuidadosamente avisou, nem sempre nobres posts filosóficos seriam publicados. Pra falar a verdade, minha ideia mais recente de iniciar essa página veio, em menor escala, da impossibilidade de desabafar algumas coisas nos 140 caracteres do twitter. Yet, provavelmente o miniblog será o mais atualizado, de modo a ser o eixo dos meus pensamentos virtuais. Idealmente, haverá posts sobre diversos assuntos, com links pra cá toda vez que algum precisar ser destrinchado.

Posto isso, fui essa semana ao cinema. Fui sozinho, por querer ver um filme que pouco provavelmente me traria alguma companhia, ao menos alguma que quisesse ver o filme. Trata-se do Dragonball Evolution. De início, já me injuriei ao descobrir que só poderia vê-lo nas telonas em versão dublada, a menos que me deslocasse para cinemas mais afastados, como Recife-PE. Com exceção de Era do Gelo, desconheço qualquer coisa que fosse melhor dublado que legendado. Desconhecia. Considerando que a filmagem usou atores que nunca participaram do universo Dragon Ball e, quando muito, assistiram ao desenho, a versão legendada me daria vozes estranhas; como espero mostrar adiante, se não conseguisse parâmetros familiares, correria o risco de não reconhecer nada de Dragon Ball no filme. Felizmente, invocaram a Álamo para cuidar da dublagem, que felizmente recrutou os atores responsáveis pela maior parte dos personagens do anime. Ouvir a voz do Goku soltando o Kame Hame Ha até “deu um arrepiozinho”, como diria o Gian, no Anglo do início da década (e século).

Com relação ao enredo, retomo o post do twitter: “Perdoai-os, Kami Sama! Eles não sabem o que fazem!” Nem tanto pelo estupro da história original, enfiando o Goku na escola com pouco jeito com as meninas, encabelando o Mestre Kame, fazendo da Bulma uma Lara Croft, ou ainda, pior de tudo, atribuindo a criação das esferas do dragão a “mestres anciãos” (vários cavaleiros de Libra, talvez?). O nome “Evolution” no título já me remeteu o nem tão novo desenho dos X-Men: uma releitura igualmente violenta da saga dos mutantes, mas que não deixa de ser legal. É compreensível uma adaptação do roteiro original para adequar a história a uma realidade mais temporal, ou mesmo factível em filmagens, como no caso do surreal Dragon Ball. Não que ele mereça uma indicação por melhor roteiro adaptado, mas a nova concepção até passa.

Desagradável, sim, foi ver como o filme foi mal produzido. Não bastando o roteiro beta, fizeram questão de colocar efeitos especiais, tomadas de câmera, profundidade dos personagens etc. de qualidade nem duvidosa, pois não se questiona que estavam fracos. Fora que o filme é curto. E curto pois é nítido como a história começa a correr alucinadamente para um fim, a partir de certo ponto, sem mais nenhum cuidado com seu desenvolvimento. Ainda deram uma deixazinha para um filme 2 (seria o Dragon Ball Z Evolution?), assistida só por mim, neurótico que não sai da sala antes do extremo final da película física, assumido em comunidade no orkut , enquanto os outros 9 espectadores já tinham se retirado.

Até há substrato para tal, como a chegada dos Sayajins e a saga do Freeza, que não exigiriam muito mais do que se mostraram dispostos a fazer, mas de fato nem apetece muito. Como não apetecia esse, de modo que a falta de expectativa me fez tolerar bem um filme conscientemente ruim.

Viram? Apesar do twitter deixar eu dizer que o filme é ruim, ainda precisava desengasgar essas coisas…

André

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