Às primeiras perguntas

“Não faça nada que de nada serve.” Parece uma boa forma de iniciar essa ideia. A frase está no Livro de Cinco Anéis, do Musashi, e me serve como um norte há um bom tempo. Se, em algum momento, efetivamente eu começasse a falar sobre algo mais filosófico, idealizei que seria principiando por mostrar como a razão se tornou a luz da minha forma de compreender o mundo. Poderia passar pelas obras que me influenciaram, contar meus devaneios, minhas linhas de raciocínio, os novos credos que foram tomando os lugares dos antigos etc. “But I lack context” (Animae PartusPain Of Salvation).

Indubitavelmente, alcancei uma forma de ver as coisas que me ajuda muito. Aprendi a ser ponderado, tolerante, compreensivo, sensível, e, ainda assim, frio e calculista de modo a pouco me machucar ou me surpreender diante das coisas. A essência desse comportamento? Simplesmente a busca incessante por padrões que me elucidem como funcionam as pessoas e os acontecimentos. Depois de entender a gravidade, não me lembro de me indignar por algo cair e se quebrar; pelo menos não com a gravidade (com o responsável por deixar aquela m$%^& na beirada já é diferente). Não sendo o mais egoísta dos seres (até a defesa da inexistência do altruísmo caberia antes, não fosse o meu desespero de fazer as perguntas certas!), rapidamente me pareceu razoável ajudar as pessoas ao meu redor com isso, como o carinha da caverna do Platão, ou o Kenshin com a sakabatou dele, para utilizar exemplos extremos.

Eis minha fase de pretenso psicólogo, psiquiatra, analista, atendente do CVV, ou como queiram chamar. Até a alcunha de Andy van Pelt me reservei… Não posso negar que isso me ajuda a aprender cada vez mais: ouvir os relatos, usar a empatia para entender o raciocínio ou a emoção que desencadeou o problema dos meus queridos, colocar sob treino minhas argumentações e minha didática para explicar o que eu, modestamente, consigo depreender etc., certamente expandem minha visão do ser humano. Mas creio que é naquele último item que peco the most. Talvez nem de forma tão direta assim; muitas vezes os argumentos parecem fazer sentido a eles, de modo que também a didática de exposição parece ter sido adequada.

Mas, como pesquisas de cardiologia humana, que, a despeito de sintomatologia, evolução de quadros etc., analisam sua eficiência por variação na sobrevida dos pacientes, penso se minhas atuações não resultam em um vazio prático, se, no final, não ajudam as pessoas de quem gosto em nada, se não as ajudam a resolver suas questões, se não as ajudam a evitar que os mesmos problemas recidivem.

E isso me desespera. Desesperou-me quando tive essa impressão, e automaticamente me levou à pergunta: “Para quê?” Se, como disse acima, decidi usar essa visão pra ajudar meus caros, para que insisto em usá-la se não os ajudo? Será por conseguir aprender mais e, assim, satisfazer minha sede? Seria eu egoísta assim? Será com a boa intenção cega de ajudar, que faz com que eu haja igual todas as vezes, como um mosquito contra o vidro? Seja qual for a resposta, levará a outra pergunta: “Como alterar isso para passar a ajudar?”, se bem que acredito que a própria resolução da primeira responderá a segunda, como um sistema de equações.

De qualquer forma, com minha própria imperfeição me incomodando, a todos a quem busquei ser útil peço desculpas.

André

1 Response to “Às primeiras perguntas”


  1. 1 Dear Cats 28/04/2009 às 10:05 am

    Dear Cats,

    claro que vc me ajuda…
    mas os motivos pelo qual o faz, só vc sabe…
    claro que deve ter a ver com vc tb…
    mas pq isso te aflige? tô te enchendo tanto? rs

    beijao


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