Consequências – act III

Oi! Atenção. Aqui, ó! Não, calma! Não precisa ficar procurando onde a 2ª parte dessa saga de PS’s está escondida. Tampouco precisa acusar o autor de ter errado sua contagem. Não há um tópico “act II”, e isso é intencional. Isso não se deve a uma intenção de fazer estilo, deixar o texto mais artístico e tal, e “o escrito ficaria assim mais galante e mais novo” (M. Assis). Se o faz, fico feliz, mas foi apenas uma decisão que pareceu mais apropriada ao mote geral do blog, “minhas reflexões”. Ao gerar o “act I“, seu irmão já estava concebido em mim, embora ainda não houvesse material literário suficiente para publicá-lo. Recentemente, uma terceira consequência, esta um efeito colateral do processo iniciado com a busca da purificação do sentimento, brilhou na caixa de ideias a que chamo mente, e, por ser mais promissora na geração de palavras, pediu licença para se apresentar primeiro.

Dito isso, conste que o “act II” versaria sobre a possibilidade de se gostar puramente de mais de uma pessoa simultaneamente. Embora isso pareça macular toda a noção de pureza defendida, ao desenvolver esse tipo de apego descontaminado, atemo-nos à essência de uma pessoa, um parâmetro, por definição, absolutamente individual e, portanto, impassível de comparações. Somente quando desenvolvemos uma preferência por parâmetros quantificáveis, e ordenáveis, podemos eleger um campeão e preterir os demais. Exemplificando, se A gosta de B por B ser uma pessoa muito divertida (um gostar, pois, não puro), A considera B mais divertida que as demais. Dessa forma impura, A só pode gostar de B, que tem o melhor resultado para o quesito diversão. Se, ao contrário, A gosta puramente de B, gosta e pronto. A essência única de B não tem como ser comparada à de C, M, P, Z etc.; pode somente ser apreciada, ou não. Assim vale pras demais essências, não havendo, portanto, nehum impediente de A gostar das demais pessoas-letras, a menos que elas, per se, sejam detestáveis (A não gosta de K, independentemente do que sente pelas demais pessoas). Enfim, não consegui elaborar mais que isso, mesmo me surpreendendo com tantas linhas surgidas conforme escrevi.

Ao efeito colateral. Supondo a mesma situação contaminada exposta no exemplo anterior, acrescentada de uma reviravolta que levasse B a se tornar uma pessoa não divertida, o indivíduo A seria levado, invariavelmente, a deixar de gostar de B, por ter seu ponto de aproximação (o apego à diversão proporcionada) prejudicado. Haveria, sim, um sofrimento, gerado pela decepção de ver uma pessoa divertida se tornando uma mala, por sentir falta do período prévio às mudanças e tal, mas a morte do quesito leva ao desapego paulatino. Ao contrário, na situação em que A gosta de forma pura de B, não existe um contraponto, algo apontável de que se possa desprender, pois a essência é imutável. Se gostasse da beleza, acabaria com a feiúra; do dinheiro, com a pobreza; da simpatia, com antipatia; do carinho, com a agressividade. Mas não tem nada que contraponha a essência. De onde se pode concluir que a dor gerada com uma perda não cede tão facilmente como ocorre com um gostar impuro, um gostar das características da pessoa, que são mutáveis. Infelizmente, minha lógica não conseguiu alcançar, até o fechamento desta edição, se existe um ponto em que esse gostar possa se esvair. Talvez seja possível aprender a conviver com o ele, até o ponto de calejar, e não doer mais, semelhante ao que ocorre com a morte de pessoas queridas… Vai, pra extrapolar, uma mãe que perde o filho: pode chegar o dia em que ela volta a fazer suas coisas do dia a dia normalmente, mas o sentimento nunca vai passar. Ou, talvez, com a distância, o gostar se adormeça, e a dor cronifique a ponto de não incomodar quando o assunto não vem à tona. Ou talvez seja algo impossível mesmo. Ou algo que morra naturalmente com o tempo, dado que nossa mente é algo falho e imperfeito.

Pessoalmente, gostaria de acreditar na última alternativa. Talvez por hipótese absurda: se for verdade que o gostar puro não se esvai, mesmo com a distância, a ausência de alimento e a passagem do tempo, e admitindo a ocorrência de se gostar de mais de um indivíduo ao mesmo tempo, conforme esboçado no suprimido “act II”, cria-se uma tendência acumulativa que, quando falha, gera sofrimentos acumulativos e infindos. Empiricamente, não é o que se observa. Tá, eu sei, a ideia da Filosofia não é se ater ao experimentável, isso é papel da ciência, e blá blá blá. Como eu tinha dito, minha lógica não tem um posicionamento firme, ainda, sobre a consequência dessa consequência, embora já me pareça incrivelmente racional a perenidade do gostar puro, COMPARADA com gostar das características.

Não foi meu post preferido. Talvez eu venha a alterá-lo, ou mesmo revogá-lo. Enquanto isso, fiquem com uma possível versão beta.

André

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