Respiro

Por meses fiquei no escuro. Aquelas trevas em que não se sabe se um dia haverá luz novamente, acompanhadas do silêncio perene, que suspendem toda noção de sensação que se possa ter. É como dormir, enquanto se dorme. O problema é que só sabemos que dormimos quando acordamos, então acho que melhor seria compará-las à morte. Experimentei um breve período de morte. Breve, comparado à eternidade que se espera da morte. Mas despertei, e as datas anteriores mostram a duração do sono, e que, afinal, tratou-se de uma dormência, não de eu expirar.

Tal sorte não teve o fotolog, que jazeu na mesma solidão obscura, até que um dia lhe decretaram o óbito, sem ninguém que o velasse ou desse por sua falta, para, enfim, descobrirem-no ido quando tentaram ressuscistá-lo como hoje ocorre comigo. Ao menos faleceu inconsciente, ou inativo, de modo que a dor da perda restringiu-se à memória que dele se tinha, sem prejuízos futuros da separação.

Mas, uma vez de posse da existência, mais uma vez, quero aproveitar este respiro para dizer que espero que ele dure bastante. O esquecimento não é algo ruim per se, mas a consciência que se toma dele sim, como um esforço desencadeado em vão. Que essa ventilação possa se renovar a intervalos curtos, até porque a própria mente do Criador assim se areja mais frequentemente, e mais ele se orgulhará de sua criação.

Também é bom estar de volta.

Blog do André

1 Response to “Respiro”


  1. 1 anderson 18/01/2010 às 3:08 pm

    Pois respire fundo.


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