Cadeia produtiva em seriados

Quando fui buscar nos meus materiais acadêmicos algumas informações para uma apresentação que iria fazer no serviço, na 5a feira, achei o esquema da cadeia produtiva dos alimentos, sintetizada abaixo:

produção primária (matéria-prima, eg. leite ordenhado das vacas) >* industrialização (vários níveis, eg. pasteurização do leite, coagulação para queijo, maturação) > comercialização (nos pontos de venda, eg. vendinha da esquina) > consumo (eg. leitinho com chocolate à tarde)

* com “>” = transporte

Acho lindo esse esquema! Mostra como coisas que a gente vê de forma independente estão conectadas. Mas isso só explica um pedaço do título, e não justifica iniciar uma publicação, pois seria algo que caberia no twitter (sem link, dessa vez; clique ao lado). Mas, como de costume, uma coisa leva à outra, e logo divagações viajantes vêm à tona, resgatando pensamentos pontuais que passam a formar uma rede que faria inveja a qualquer esquizofrênico paranoico. E eis que o mote do post se completa: já repararam como esse conceito de cadeia produtiva pode ser aplicado nos temas do mundo dos seriados americanos? Não me refiro, aqui, ao meu amado Heroes, ou ao meu odiado Lost, de quem não falarei hoje.

Aproveitando que o post anterior deixou muitos familiarizados com alguns termos médicos (clínicos, na verdade, como alguns já devem ter corrigido), começo analisando os seriados da área de saúde. Já são muitos, e pode ser até que eu esqueça de citar algum aqui. Se for o caso, fico feliz em ser corrigido nos comentários, e atualizarei o post com as devidas honrarias. Só não sei se os menciono por ordem de exibição, ou nos seus encaixes com a cadeia. Ou uma mistura, quem sabe…

Dito isso, o primeiro seriado de grandes proporções sobre o tema foi E.R.. Aliás, pausa para parabenizar os roteiristas do último episódio de Will & Grace , quando se referiram à 30a temporada de E.R., com o retorno de George Clooney, como de fato se concretizou na 15a e última temporada, deixando a piada ainda mais engraçada. Voltando ao grupo do Carter, foi um seriado que mostrou como era legal salvar vidas, na rotina de um PS, temperando os casos com os dramas pessoais dos personagens.

A fórmula foi seguida à risca, e hoje temos toda a sorte de programas. Agora, sim, saindo da cronologia para entrar no eixo racional de exposição, falemos do Trauma, que acompanha as ocorrências externas ao ambiente hospitalar, o análogo ao nosso SAMU/193. Também encontrei referências paramédicas em 3rd Watch. Socorrida a vítima do local do acidente, o atendimento imediato já pode ser dado no nosso conhecido E.R. Mas nem só de emergências sobrevive um hospital; há os casos de acompanhamento clínico, tanto médico como cirúrgico. No primeiro caso, temos House M.D., famoso pela ironia e humor ácidos, que dão a graça a um mundo que seria monótono, se restrito à aplicação de medicamentos pós diagnósticos. No segundo, vemos a galera de Grey’s Anatomy e Nip/Tuck, reproduzindo o mundo dos carniceiros que se sentem deuses. Até uma comédia o nicho nos apresenta: Scrubs. E, como toda medicina acaba na Patologia, as autópsias nos são exibidas pelos legistas de todos os C.S.I.’s  e demais investigativos.

Aliás, o mundo criminalístico é padrão ouro em como se aproveitar todos os ramos para criar seriados. Foram os primeiros exemplos que tive dessa teoria, quando ainda eram só reflexões soltas. O já citado C.S.I. foca na rotina pericial, tão ignorada, ou secundária, em outras produções, e mostra os discípulos de Holmes salvando o dia quando todos os vilões ficariam soltos. Na contramão, Dexter trabalha com os forenses, mas acabaria sendo pego pelo Grissom, se ele não saísse do seriado padrão. Se o problema são pessoas desaparecidas, Without A Trace as achará para vocês. Promotoria versus defesa? Close To Home, com a loirinha Annabeth Chase, encarna a acusação, enquanto vários fazem as vezes dos advogados, exemplificando com Justice, Boston Legal e Ally McBeal. Aliás, para a parte dos promotores, há de se falar ainda de toda a franquia de Law & Order, acrescentando toda a parte policial de campo também coberta por ela. Se nada der certo, é só esperar alguns anos que Cold Case esvaziará o arquivo morto. Não sei se há algum segmento deixado de fora. Mas, se há, já deu pra entender o ponto, né?

Aliás, tento imaginar uma megaprodução, com associações do Jerry Bruckheimer, NBC, ABC, CBS, Fox, Warner, e toda essa galera in link, com uma trama que envolvesse acidentes criminais, mostrando o esforço do salvamento médico, de um lado, e a tentativa de resolver o caso, do outro, com os principais personagens de cada pedaço contracenando. Com certeza seria algo tão monstruosamente desproporcional, que deixaria a infame última temporada de Lost pra trás (ops, falei!). Poderiam até chamar o Nicholas Marshall, de Justiça Cega, para sentenciar o caso (risos). Fica a dica!

André

2 Responses to “Cadeia produtiva em seriados”


  1. 1 Lari 08/02/2010 às 12:18 am

    (Droga!escrevi um comentário mas a página iniciou sozinha e apagou!) hehhe
    Eu disse que gostei muito muito desse post…não só pq sou viciada em séries heheh…mas não nas policiais que vc comentou…gosto mais das de comédias e dramas…falando nisso…senti falta da citação da melhor série de todos os tempos…(eu sei que não tem nada com o assunto do post)heheh
    pensei em um tema pra te propor para um próximo post! vamos ver!

    bjusss


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