Review

“Indo pro trabalho com meu cunhado/amigo/brôu de rock band, vulgo Marcelo, nós entramos no assunto de séries que assistíamos quando éramos pequenos pimpolhos saltitantes.

Entre muitas tardes da Manchete regadas à series japonesas: Jaspion, Giraya, Black Kamen Rider resolvemos fazer um estudo antropológico da série americana Power Rangers, que teve a fórmula retirada dos antigos japoneses só que com mais dinheiro.

(…)

O Vermelho é sempre o líder, jogava futebol americano na escola e descolava milhões de menininhas, as vezes namora a Ranger Rosa que é a patyzinha do clube, popular e quebra a unha nas horas mais impróprias. O Azul é o serião, muito inteligante mas não tem tempo para brincadeiras, já o preto é o nosso tira-sarro da turma. E agora vem nossa personagem mais importante: A RANGER-INCLUSÃO-SOCIAL, a Ranger Amarela é a defensora das minorias: ou é japonesa ou negra, ou alguma outra minoria norte-americana.

Encerramos o nosso estudo antropológico de rangers por aqui, já que é o máximo de profundidade que podemos tirar dessa série que passava na hora do almoço.

Pequeno post, mas precisava ser escrito.

Beijos.”

(BAFILE, V. S. Um estudo antropológico dos Power Rangers. Tomate Revolucionário – tomate neles!. São Paulo, 2009)

Achei a sacada tão excelente, que me senti compelido a estender a discussão, sem, claro, querer parecer intrometido em conversa alheia, tão somente destinado a homenagear o pensamento da autora. E, como ela bem disse, não dá pra extrair muito de Power Rangers, pelo menos não de uma forma linear que permita a criação de um texto dissertativo-argumentativo, como de costume se tenta por aqui.

Ajudaria muito se já chegarem aqui tendo lida a descrição wikipediana do seriado. Se preferirem lê-la agora, eu espero um pouco.

Já? Bem, o artigo conta praticamente tudo. Então, como eu disse, não será nada que aumente a magnanimidade do post original da Violet, mas apenas observações pontuais.

Esticando a ideia da Ranger Amarela ser sempre o ponto politicamente correto da série, tem mais uma coisa: nos originais japoneses, muitos sentais eram compostos por quatro caras e uma mina. Claro, isso seria uma desproporção inaceitável no país da liberdade. O que a Saban fez? Pega o amarelo e mete uma moça dentro da roupa! Já reparam que a Ranger Rosa tem uma saia no uniforme, mas a Amarela não? Fruto das cenas originais japonesas; a coitada da Tigre-Dentes-de-Sabre não era TÃO ovo frito assim.

Se o ponto é a igualdade de oportunidades homem-mulher, ter cinco membros no esquadrão dificultou todo o processo, e só por isso o esquema 3:2 deve ter sido escolhido. Senão, o que poderia ser feito? Colocar um gay não daria, senão faltaria uma lésbica. Um hermafrodita destoaria muito do perfil dos habitantes da Alameda dos Anjos, mas acho que seria o mais justo. As melhores soluções acho que foram nas temporadas Turbo (com um garotinho impúbere como Ranger Azul) e S.P.D (com um cão Ranger, sugestivamente chamado Doggie).

Talvez igualar o número de XX e XY nunca fosse uma meta real. Possivelmente porque isso fecharia casais, e os bons moços não se empenhariam tanto em salvar o mundo. Não dá pra saber. Sabe-se, sim, que, quando puderam fazer isso, com a presença de um sexto Ranger, colocaram mais um cara. Aliás, figura interessante o sexto Ranger: o verde era mau, ficou bom, depois ficou branco. Mas, em linhas gerais, essa figura extra nunca é parte efetiva do time. Não são 6 Rangers, mas 5+1. E o 1 é alguém mais reservado, antissocial, diferente do Azul citado no texto-base, porque ele é tão perfeito como o Vermelho, mas algo mais B-Side. Não chega a ser um dirty-hero, por seu apego aos valores certinhos, mas está mais para um Ashton Kutcher, antes da primeira viagem em Efeito Borboleta, do que sua versão κ-θ-λ.

Esse foi o primeiro passo para dissolver a patotinha (ou, por que não?, igrejinha) hermética de guardiães do universo. Se todo o princípio antropológico da coisa se baseia na vida em sociedade, como é que a sociedade de heróis poderia se isolar nos cinco, sem dar oportunidade para outros cidadãos cumprirem seu papel na luta contra o Mal? Assim, para o modelo de liberdade se difundir, vários Power Rangers X, com X = qualquer um dos 500 subtítulos, passaram a contar com diversos integrantes, além da equipe de base. (Curiosidade: já tinha visto isso nos animes de Sailor Moon)

Posso mencionar o exemplo da redenção, e da lição de como as pessoas merecem segundas chances, citando a vilã Astronema tornando-se, um dia, uma Ranger Rosa, mas, como não assisti ao processo, e descobri a informação durante minha pesquisa para a redação, não estendo o tópico.

Por fim, deixo só uma questão, que é mais uma angústia do que uma análise qualquer: por que diabos sempre a tal Alameda dos Anjos??! Tá, eu entendo que alienígenas pudessem querer focar seus ataques em Tóquio, no seu auge tecnológico, como estratégia inicial para desarmar o mundo, mas a Alameda dos Anjos??? Teria algum metal precioso sob seu solo, à semelhança de Pandora? Senão, eu ficaria muito ofendido se Rangers fossem necessários em Pindamonhangaba antes de São Paulo.

Acho que espremi demais até. Se é que eu não forcei a barra. Mas as ideias vinham conforme lia o blog; era questão de tempo até eu postar algo.

André

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