Raview

Da primeira rave a gente nunca esquece! Quer dizer, imagino que se possa esquecer de grande parte dela, dependendo da conduta alcóolica e química adotada durante as longas horas de festa regada a psy trance. Dito isso, relato, previamente, que consumi: uma lata de cerveja Skol, durante o trajeto estacionamento-entrada; uma lata de Smirnoff Ice (nem sabia que existia lata disso, mas é uma apresentação razoável, dado o risco inerente de uma garrafa numa balada no meio do nada) logo ao entrar na pista, devido ao frio e à pouca quantidade de pessoas no cedo horário; uma lata de Red Bull ao voltar para o carro, para evitar dormir ao volante na estrada, o que podem deduzir que funcionou. Ah, e rejeitei meia “bala” que me ofereceram. Resumindo, curti a One Nation 1200 Festival careta, logo, lembro-me bem!

E, sendo minha primeira rave, achei por bem redigir um relatório, um review do que foi essa experiência. A começar pelo meu histórico, de metaleiro true headbanger convicto, do porquê ter decidido ir ao evento: gosto de psy; é a música eletrônica mais bem trabalhada que existe, e a virtuosidade é uma coisa que me agrada, sendo, aliás, ela que me levou ao amor pelo metal como primor de qualquer gênero rock, assim como gostar de jazz ou música clássica (a definição de virtuosismo); acresce que não raramente o estilo utiliza recursos do metal, como uma boa guitarra com distorção, riffs e solos, sendo essa a razão inicial de procurar conhecer um pouco sobre o ritmo. Após descobrir que haveria a apresentação dos grupos Infected Mushroom e Skazi, em seguida descobrindo sobre a existência do Void, em uma mesma oportunidade, achei por bem aproveitá-la e me dar a novos voos.

Sobre a organização, confesso ficar admirado com os bons resultados. Guiar um bando de pessoas potencialmente loucas para um buraco no meio de uma fazenda de cana, numa área utilizada como campo de polo, em um ponto situado entre os municípios de Salto e Itu, não soa como a tarefa mais promissora de resultados favoráveis. Mas eles foram. Chegamos (meu primo e eu) como uma flecha apolínea ao evento, devidamente sinalizado e apontado por profissionais identificados.

Com relação às pessoas, trata-se, sim, de um público mais elitizado, composto fundamentalmente por boys e patys.

[Neste espaço, não aguentei de sono e precisei dormir, acordando seis horas depois, no meio da noite. Por inviabilidade de continuar a redação no horário, ficará para outro dia. Mas está registrado o ponto de quebra temporal.]

“Retomando o raciocínio:” Com relação às pessoas, trata-se, sim, de um público mais elitizado, composto fundamentalmente por boys e patys. Mas um povo de boa lá, por mais que possam ser nojentos nos clubes normalmente frequentados. Também há a hipótese de que a camada mais entojada se concentrasse na área VIP, à qual não acessei, nem vi vantagem, dado que não choveu. Talvez o objetivo psicodélico de estarem ali, diferente essencialmente do meu de assistir às performances, marca metaleira de minha pessoa, os mantivesse mais introspectivos, de fato curtindo a balada do jeito deles, ou dançando com os amigos com quem foram. Tá, no ponto baixo da noite (longas horas, obviamente, teriam oscilações de qualidade, principalmente com os DJ’s estrômicos), a presença de alguns seres bombadinhos me deixou com a vergonha alheia que me dizia “E você está aqui, na mesma categoria que isso?!”, mas nada que comprometesse o fun factor da noite.

Já que eu disse acima que não choveu, tomo um breve parágrafo para descrição do tempo: um gelo durante a noite e um inferno após o nascer do sol. Então, nem façam como meu primo, e levem roupa de frio, nem como eu, e levem protetor solar. Pelo menos o perfect sky rendeu excelentes fotos.

Quesito: artistas. Nota…. Dez!!! Sim, a nota geral das apresentações, corrigida para minha ignorância no tema, preconceito que tinha etc., é essa mesma. Não que tudo estivesse perfeito. Mas os principais da noite foram tão bons, e o clima ao longo do tempo tão bem mantido, com a agitação constante, mas não extenuante, que sou obrigado a admitir que mandaram muito bem! Os DJ’s de preenchimento eram lá cansativos, sobretudo uma menina que parecia querer entrar para a banda Viva Noite, mas eu me mantive em pé o tempo todo, coisa que não consegui em nenhuma das duas edições do Live’N’Louder.

Individualmente, uma das grandes atrações da noite foi a Megaband, mas não sei se era a primeira onda de cansaço, ou o que mais, mas não senti um diferencial tão grande dos sets de psy trance basais da noite. O que não aconteceu com o Void, que destoou muito da onda corrente, e me colocou para dançar ativamente por umas duas vezes, durante uns três minutos cada. Qualquer um que me conhece minimamente, e sabe que defini uma função intransitiva para o verbo “não dançar”, entende o que isso quer dizer. Já o Infected Mushroom, grandes astros da noite, ou melhor, do dia, que já fritava, foi perfeito. Bem, isso tem uma certa conotação ruim, embora não esteja dizendo que não gostei, de jeito nenhum. É como Dream Theater, no metal world; não consigo apontar uma única falha, mas ainda assim parece que falta algo mágico, algo que o Pain of Salvation atinge. E que, no electronic world, foi atingido pelo Skazi: é deles o título de melhor da rave, na minha modesta opinião. Acredito que muitos do público alvo da música eletrônica não têm noção dos artistas que têm em mãos com esse grupo, virtuosi ao extremo, de modo que nem as desafinadas arrancadas no solo de violino eletrônico, ao encerramento do show, fizeram diferença.

Os projetos de tecido conjuntivo continuaram após o Infected, mas já era hora de dizer tchau e tomar o rumo de casa. Para isso, seria necessário encontrar o carro, meta difícil de ser cumprida. Caso os organizadores cheguem a ler isso, e aceitem uma sugestão, por favor improvisem placas “A4”, “J26”, “Z666” para termos uma referência para acharmos os veículos, ou, das duas, uma: compro um New Beetle amarelo, ou gravo as coordenadas do Dark Angel no GPS. Vale relembrar que eu estava sóbrio e limpo, de onde infiro o desafio que algumas pessoas tiveram.

De lá, o caminho foi tranquilo, até minha chegada à minha residência, alimentação, início dessa redação, e relatado apagão de consciência. Sem dúvida, foi uma experiência muito melhor do que o esperado, e ainda saí com o lucro de poder ser fã declarado de mais um conjunto virtuoso: Skazi. Puta que pariu!

André

2 Responses to “Raview”


  1. 1 Águeda Heberle 03/05/2010 às 11:56 pm

    Demorei, mas li tudo.
    Sempre tive bastante curiosidade de ir a uma rave, parece ser uma aventura e tanto.
    Enfim, quando tiver outra, me avise! xD

  2. 2 Patrícia 04/05/2010 às 12:24 pm

    Hummmmmmmmmmmmmmmmmmmm fiquei com vontade!!!
    Também quero Infected Mushroom e Skazi!!!
    “I´m playing the game The one that will take me to my end…”
    \o/


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