The good, the bad and the ugly

Após o fiasco da apresentação do Angra no Rock In Rio, choveram comentários a respeito. As viúvas do André Matos se regozijaram com a aparente prova de que seu ídolo purpurínico era imbatível como voz da banda, e mesmo eu twittei vários comentários… digamos maldosos… durante o show. Mas passou, e entre mortos e feridos todos continuaram a curtir o único dia que fez jus completo ao nome do festival. Logo tudo não passaria de um dia ruim de trabalho para eles, daqueles que misturam a falta de inspiração com as condições adversas de trabalho, como acontece com qualquer um. Certo? Errado.

As brigas que tenho com minha namorada só costumam piorar muito quando acontece um evento que aprendi com minha família a chamar de “esticar” (ou “espichar”, em algumas variações). E a situação a respeito do evento só piorou porque o Angra insistiu em ficar esticando o assunto, tentando justificar aqui, explicar ali, culpar acolá, desculpar x (não sei mais advérbios de lugar para manter a gradação)

Yada, yada, yada, a banda (@angraofficial) soltou um pronunciamento oficial, resumindo o incidente à toda a lista dos problemas técnicos amplamente detalhados ao longos de diversos tweets e posts, com várias autoafirmações como uma força do metal nacional, o que é verdade. Aliás, juntamente com o Sepultura (com o Derek mesmo, sem Max-viuvisse), o Angra é o que há de melhor no metal brasileiro, sendo uma das minhas bandas favoritas at all.

No dia seguinte, foi a vez do Edu (@edufalaschi) se pronunciar, alegando que suas falhas vocais, sabidamente não dependentes dos problemas técnicos encontrados no palco de domingo, eram devidas a uma autonegação, ie, a tentar por anos fazer de sua voz algo que não era. Foi a parte que me trouxe aquela sensaçãozinha de culpa pelos tweets maldosos mencionados acima, e provavelmente a centelha que me inspirou a escrever este post.

E, agora, minha opinião. Fui realmente gostar de Angra com o álbum Temple Of Shadows, ou seja, pós André, Mariutti e Confessori, e ainda acho que foi o ponto mais alto da banda. No lançamento do Aurora Consurgens, na Via Funchal, com aniversário de 15 anos da banda, vi um dos melhores shows da minha vida. Tocaram Angels Cry e Carry On, que, sinceramente, era o que salvava pra mim da 1a fase da banda. Ou seja, não tenho nenhum problema com o Edu. Pra ajudá-lo, só tenho boas referências dele, das vezes em que meu tio papeou com ele em um caixa eletrônico ou na fila do show do Dio e ele se demonstrou super simpático sem forçar a barra (curiosamente meu tio sempre esbarrou com os gente boa da banda; o Aquiles sentou ao lado dele em um workshop de bateria e o Ricardo voltou de um shopping a pé – moravam perto – conversando com ele).

Já o mesmo não posso dizer do restante. Primeiro o Kiko, que se acha o Satriani brasileiro (a ponto de usar uma guitarra prateada em um show solo de abertura para o Judas Priest, se não me engano), embora nunca tenha presenciado nada de sua arrogância pessoalmente, só em entrevistas. Segue seu sócio da banda, Rafael, com quem tive a infelicidade de me encontrar em um posto de gasolina, perto da EM&T, num dia em que coincidentemente vestia minha camiseta do Angra, e ele foi incapaz de me cumprimentar, embora eu olhasse algumas vezes em sua direção; estaria ele esperando que eu fosse tietá-lo freneticamente, ou torcendo para que não fosse enchê-lo como fã? Por fim, o Felipe, o baixista, que já teve minha admiração por sua técnica (sou um baixista; ruim, mas sou), mas que sempre causou desconforto nas vezes em que o encontrei (como no desdém com que assinou meu baixo na base do braço, já que eu “não solava muito”, ou na cara de ** que fez quando pedi pra tirar uma foto com ele no show do Symphony X, quando ele era tão espectador na pista quanto eu).

Disso concluí que gosto de muitas músicas do Angra, mas não do Angra (o que eu já sabia que valia pro Metallica). E saber disso me fez entender melhor as sensações que tinha frente aos deslizes da banda. Como músicos instrumentistas tão bons, e que se acham ainda melhores, são tão incapazes de mudar a tonalidade de suas músicas para adequar ao vocal? É muito mais fácil mexer nas tarrachas do que mudar a tessitura das cordas vocais de um barítono para ser um “soprano”, e disso tenho bagagem pra falar não pelo conhecimento em música, mas pela formação biológica. Eles não têm técnica para manter a qualidade e peso da música em outro tom? Ou será que é mais fácil bater o pé por ser dono(s) da banda e exigir que a voz se adeque ao resto só para garantir que aquilo que foi composto seja tocado inflexivelmente daquela forma, como uma peça clássica? Apesar de buscarem influências em outros estilos, muitos brasileiros, a banda parece não ter aprendido a flexibilidade desses ritmos. Que tal um pouco de jazz?

E foi assim até chegar na gota d’água chamada Rock In Rio, cuja repercussão das críticas levou o Falaschi a finalmente falar “Quer saber? Foda-se!”. Não sei se foi um foda-se pra banda supostamente intransigente, pros fãs resistentes a mudanças, ou pros dois, mas certamente foi um pra si mesmo, quando fazemos as contas e vemos que “não vale o esforço”. Então, Edu, vai se cuidar, e quando voltar venha com algo natural seu e eu serei um dos primeiros a acompanhar seu trabalho, e ter uma opinião verdadeira sobre ele.

André

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