Algoritmo

“Essa ideia era nada menos que a invenção de um medicamento sublime, (…) destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade.”

Longe de mim querer criar aqui um capítulo de autoajuda, mesmo porque duvido que conseguiria ganhar o que esses autores faturam com suas proposições altruístas, de resultados verdadeiramente cristãos. Mas se há algo que de fato nos incomoda é termos que sanar uma dúvida acerca de tomar uma decisão, seja em qual campo de nossas vidas ela esteja.

“Invisto naquelas ações?”, “Tomo mais uma cerveja?”, “Chamo aquela pessoa pra sair?”, “Acredito que este pedinte está realmente com fome?”, “Peço aumento?”, “Fico mais um pouco na internet?” etc. são algumas das questões aflitivas que podem consumir minutos preciosos do tempo dos mais cautos até que suas indecisões se resolvam.

E como resolvê-las? Especialistas dizem que devemos embasá-las nas questões mais relevantes, e que cada caso é um caso. Deveras vago pra quem se diz especialista, na minha humilde opinião. Mas, também, o que em administrês não é vago e soa como óbvio? Pois bem, para as dúvidas que podem ser formuladas em termos de “sim” e “não” como respostas, ocorreu-me um algoritmo simples para tomada de decisões. Quem sabe, no futuro, ele não possa ser conhecido como dispositivo prático de André? E, assim, lembrariam de mim nas aulas de polinômios, e de Briot-Ruffini nas aulas de filosofia. “Mas não antecipemos os sucessos; acabemos de uma vez com o nosso” algoritmo.

Diante da incerteza, responda às seguintes três perguntas. Obtendo, pelo menos, dois “sim”, faça. Eis as perguntas:

1 – Você precisa?

2 – Você quer?

3 – Você pode?

Por “precisar”, refiro-me à verdadeira necessidade de realizar a tarefa, que tende a ser “sim” para obrigações (“Vou ao trabalho hoje?”) e “não” para caprichos (“Compro aquele iPad?”).

Por “querer”, refiro-me ao desejo intrínseco de realizar a atividade. Obviamente, as tendências são exatamente opostas às de precisar, e precisamente isso é que nos gera a angústia da decisão.

Por “poder”, refiro-me às condições de realizar a atividade, em seu caráter mais amplo. Há impedimentos físicos, sanitários, monetários, temporais, morais ou de qualquer outra ordem?

Notem a importância das respostas serem dadas de forma consciente, para que a decisão, que sai de forma automática, não os frustre e meu inocente protocolo seja culpado pela temeridade de vocês. Tenha certeza de que você realmente quer aquele sapato, e de que tem tempo, dinheiro e, claro, pés para adquiri-lo, caso não precise aumentar a coleção na sua sapateira.

Notem também que a indolência, se fortemente combatida em alguns casos (“Não quer fazer o relatório? Pois bem, mas tem que fazer e não tem nada que te impeça agora. Deixa de preguiça!”), é amplamente estimulada em outros (“Banho?! Não vou sair hoje e não tô afim. Foda-se que tenha água e sabão lá no banheiro!”), de modo que me posiciono entre o céu e o inferno ao divulgar o algoritmo.

Conste aqui, como referência histórica, a centelha inspiradora desse dispositivo: seu embrião foi concebido há uns anos, para saber se eu mataria aula num certo dia de gripe forte. Eu precisava estar lá, mas não queria; foi a febre que me tirou as condições de ir. Se ela estava forte a ponto de ter influenciado essa criação, nunca saberei. Mas alguns testes que uns poucos e eu fizemos demonstraram segurança na aplicação, de modo que a publicação tem por finalidade, também, a propagação da ideia como um grande experimento.

Por isso, além do desejo de sucessos a quem a utilizar, deixo também o pedido de me retornarem os resultados, por gentileza, especialmente se o tempo gasto para responder for inferior ao economizado no momento de decisão.

André

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