Críticas – parte I

Sim, este post deve ser lido antes das Críticas II, por tratar de um conteúdo mais amplo, abrangente, e do qual derivam as ideias lá contidas. A não linearidade, nesse caso, se deveu à urgência que tinha em expor a intuição que tive, e a estimular o quanto antes a discussão ou reflexão sobre o caso. Talvez este cá não tenha a mesma repercussão, ou pelo menos a mesma pretensão de repercussão, mas conta uma iluminação que tive sobre um paradoxo que vivemos.

Por que trabalhamos? Uns diriam que para construir um mundo melhor pra todos e tal. Mas de forma imediatista e egoísta, por que trabalhamos? “Para termos uma vida melhor”. É, parece ter sentido. Afinal, para poder viajar, eu preciso de dinheiro, e a forma mais conhecida de obtê-lo é trabalhando. Vindo lá de trás, pensando em uma sociedade tribal extrativista, fica fácil pensar nos benefícios imediatos das especializações trabalhistas, permitindo a troca de esteiras por camas, peles por roupas, uns alimentos por outros, com melhorias de qualidade de vida sensíveis, como bom conhecimento médico, farmacêutico, tecnológico, cultural etc.

Então, o que me incomoda tanto na noção atual de trabalho? Acho que é a perda desse benefício do bem estar. Trabalhamos tanto por uma vida melhor, para chegar ao ponto de trabalharmos apenas para sobrevivermos. Inventamos carros bons e confortáveis, usados para chegar ao nosso serviço longe menos cansados do que estaríamos se fôssemos em pé no ônibus. Inventamos TV’s multicoloridas de tela fina, e suas versões de ponta são aquelas com memória interna para gravarmos tudo o que não podemos ver por estarmos batalhando o dinheiro para comprá-la. Compramos camas enormes e macias, para dormirmos pouquíssimas horas nelas comparado ao que poderíamos fazer na rede da tribo, mas que não nos deixa com dor nas costas quando sentamos nela com o laptop para terminar uma planilha ou responder um email do chefe. iPods, tablets, mp4s, smartphones e todo o resto do mundo portátil só são úteis quando você não dispõe de tempo livre para se entreter com suas músicas, filmes e aplicativos por estar ocupado fazendo qualquer outra coisa, provavelmente não relacionada a lazer.

Tudo se resume a criar soluções para problemas que nunca tivemos. E que só temos por lutar tanto por uma vida boa que se afasta cada vez mais. Não digo que não reconheço os benefícios, ou que preferiria estar na oca a poder digitar esse texto, mas em algum momento a sociedade caiu no clichê “viver pra trabalhar, e não trabalhar pra viver”, e isso é paradoxal, se lembrarmos do porquê  da labuta ter começado, há eras.

André

4 Responses to “Críticas – parte I”


  1. 1 Flávio Bracale Brandespim 09/02/2012 às 6:53 am

    Pois não existe nada mais trabalhoso do que viver sem trabalhar….

  2. 2 alexcosmo 09/02/2012 às 7:19 pm

    “Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde.
    E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer… e morrem como se nunca tivessem vivido.”


  1. 1 Críticas – parte II « Andy Moreno’s Blog Trackback em 11/07/2012 às 10:57 am
  2. 2 Postulados para todos os tipos de serviço « Andy Moreno’s Blog Trackback em 24/08/2012 às 1:06 pm

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