Teoria fenotípica capilar

“Qual a cor do seu cabelo?” Uma pergunta inocente, mas que pode gerar tanta discussão quanto decidir se o ciano, a cor da discórdia, pertence ao time dos azuis (azul-piscina) ou dos verdes (verde-água). Se formos considerar os conceitos de herança quantitativa, poligenia, co-dominância etc., aí, então, ficaremos doidos. Enquanto isso, a pessoa que perguntou está lá, a esperar uma resposta tão simples quanto sua dúvida.

Em um processo criativo que se absteve de considerar a adequação aos modelos genéticos e bioquímicos de distribuição de eumelanina e feomelanina em nossas cabeleiras, desenvolvi um dispositivo prático que permite, de maneira rápida, apontar com mais precisão a cor das madeixas do que se as comparássemos com um catálogo da Pantone. O quão prático é o dispositivo? Que tal um geométrico, que nada mais é do que “desenhado” em bom matematiquês? E supõe-se que figuras devam ter um valor pedagógico incrível, ou não teríamos frases como “uma imagem vale mais do que mil palavras” ou “entedeu, ou quer que eu desenhe?”. Pra ajudar mais, a representação se dará no místico triângulo equilátero, inserido abaixo como o marco da primeira figura desse blog, desde seu nascimento, em 2009:

(Homenagem à minha ascendência mineira)

Então, consideremos o triângulo RGB acima, cujos vértices simbolizam as cores dos cabelos em suas tonalidades mais puras, tal que R = ruivo; G = loiro (de ‘galego’) e B = moreno (de ‘brunette’ ou ‘black’), em clara alusão ao sistema RGB de cores aditivas. E, por puro, não faço nenhuma alusão neonazista de eugenia, apenas me refiro àquela cor muito forte, sem vestígio das demais. Tomem, por base, a descrição dos cabelos das personagens de As Brumas de Avalon, sendo o ruivo puro aquele vermelhão que descreve os cabelos de Igraine e Morgause, o moreno puro o negrume absoluto dos cabelos de Viviane e Morgana, e o loiro puro aquele dourado claro dos cabelos de Guinevere e de Artur.

Todas as demais cores se tornam pontos localizados nos lados dos triângulos: caminhando no segmento BG, saímos do preto das japonesas clássicas para as tonalidades mais claras do castanho, até aquela interface crítica entre o castanho claro e o loiro escuro (meu caso, por curiosidade), para o clareamento até o loiro puro; caminhando no segmento GR, o loiro ganha aquelas tonalidades avermelhadas, até, em determinado ponto, tornar-se aquele ruivo dourado, alaranjando-se pela água de salsicha até o ruivo propriamente dito; por fim, o segmento BR, e aqui está uma matiz para que talvez quem me leia não tenha atentado, em que o cabelo escuro, pela grande quantidade de melanina que tenha, ganha tons avermelhados, a priori perceptíveis apenas em reflexos sob a luz do sol, que se intensificam em castanhos mais claros, mas diferentes daqueles do primeiro lado descrito, acobreados, pois o fim da trajetória é o ruivo, e não o loiro.

Ato contínuo, os cabelos grisalhos nada mais são do que a despigmentação de todas essas cores, até o desbotamento total no branco absoluto (o que me faz considerar uma versão 2.0 do modelo em pirâmide tetraédrica, com o branco como ápice da base RGB, mas isso implicaria arrumar uma letra para o vértice branco, perdendo a referência ao sistema de cores mencionado – talvez se mudasse para o sistema subtrativo CMYK, mas como arrumar referências com essas letras? O próprio K já não me convence como ‘black’. Mas divago).

Com uma breve observação experimental, acho que consegui enquadrar todas as cores naturais nesses eixos, mas não é impossível que haja falhas, como, por exemplo, casos que caminhem na área interna do triângulo. Como o título indica, não me ative à questão genética da determinação da cor capilar, de modo que também é possível que os modelos científicos já consagrados me desmintam com breves demonstrações. Mas deixo aos biólogos completo espaço aberto para discussão, e espero que de algo sirvam essas magras linhas.

André

4 Responses to “Teoria fenotípica capilar”


  1. 1 Nel 25/04/2012 às 11:29 pm

    Verde! Verde! Verde!

  2. 3 Nel 26/04/2012 às 1:11 pm

    O daquela minha camiseta da discórdia é azul. Beeem azul. Mas o que chamam “algumacoisa-piscina”, esse é verde.


  1. 1 Ensaio sobre a localização da internet – uma abordagem metafísica « Andy Moreno’s Blog Trackback em 17/06/2012 às 3:48 pm

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s





%d blogueiros gostam disto: