Tédio abonado

Nada pode estragar mais a televisão do que ricos entediados. Foi a conclusão a que cheguei depois desses dias de estreia do programa da Fátima Bernardes. Pessoalmente, não assisti ao programa, mas já estava de saco cheio antes da 2a feira, tamanha a divulgação forçada que corria: entrevistas com ela em qualquer programa, um comercial atrás do outro etc. Não foi melhor seis meses antes, quando ela decidiu abrir caminho pra descabelada Patrícia Poeta, e deram tanta cobertura quanto. A bem da verdade, o que mais me incomodou foi não poder ver o final do desenho dos Avengers na hora do almoço, mas os números do IBOPE mostram que eu não estava errado em ficar injuriado.

A Mrs. Bonner, cansada de ancorar o jornal ao lado do maridão, que é o chefe do JN, aproveitou seu prestígio na casa para reivindicar algo a que pudesse dar a própria cara. Qualquer outro estaria no olho da rua, suponho, mas ela teve o direito de arriscar os pontos de audiência do horário para combater seu tédio.

E não só ela padece(-nos) desse mal. A Iris Abravanel, em determinado momento, decidiu que precisava participar mais do canal do Sílvio Santos, e começou a nos presentar com suas novelas. Claro que, como não se julga um livro pela capa, não se julga a novela pelo nome. Mas os títulos não ajudam, como já comentei em um post lá atrás, e o conteúdo segue o ritmo. Até Carrossel, à qual confesso nostalgicamente assistir, peca com as so called adaptações dela, que nada mais são do que seu xixi no poste pra mostrar que ela não se ateve a só traduzir a molecada mexicana.

Voltando à Globo, temos a Ana Furtado, mais conhecida como mulher do Boninho que como apresentadora do Video Show, e menos ainda como folguista do Estrelas nas férias da Angélica. Ela não chega a incomodar, mas é tão ruinzinha e apagada que deveria renomear o programa para Satélites, em sua vigência. Zappeando alguns canais, caímos na RedeTV, em que não apenas um, mas dois ricos querem passar seu tempo nos fazendo contemplá-los: Luciana ‘Mick Jagger’ Gimenez e seu cônjuge Marcelo de Carvalho, que já duetaram, inclusive. E não dá pra culpar o carequinha, que deve ter se inspirado no Justus pra descobrir como desestressar da vida de empresário milionário.

Pra não me tacharem de injusto, nem minha über diva Gisele Bündchen escapa, embora eu goste de ver suas apresentações meramente  pelo prazer de vê-la, e fico tentado a usar Dove, C&A, Pantene, Sky e até a ser sustentável (tá, não tanto). Mas é certo que ela não merece nenhum Oscar.

Pra encerrar, os top 2 me levam a acreditar que o SBT tem certa tendência para esse padrão de comportamento. Uma é a Eliana, que desde o Bom Dia nunca mais conseguiu se encaixar direito em programa nenhum, e troca os formatos, e canais, de tempo em tempo, até, nos últimos meses, usar seu programa para aprender, e nos ensinar, sobre a maternidade. E o título, claro, vai pro patrão Senor Abravanel, que toma a frente do canal ao ponto de já o ter apresentado por 10 horas seguidas, e não é novidade para ninguém que ele hoje o faz pela pura diversão de ali estar.

Se um dia eu ficar rico ao ponto de me entediar, vou pedir um programa pra mim também. Currículo já vou ter, pois esse blog nada mais é que o reflexo classe média desse texto.

André

Update: Eis que nosso odioso amigo Pedro Bial resolveu contribuir com mais material!

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