Sobre folhetins e blogs

Quando pego para ler alguns escritores mais antigos, ou mais recentes, a considerar que tenho lido coisas mais próximas do tempo de Gutenberg do que do nosso… quando resolvo ler alguns autores dos séculos XIX e XX, muitas vezes vejo em suas biografias que tiravam seu sustento das publicações periódicas nos jornais e revistas.

Alguns criavam contos, outros ensaios, outros emitiam opiniões, ou produziam versos. O que quer que a pena tivesse mais facilidade de escrever para gerar material rapidamente e, assim, receber de forma constante para pagar as despesas. Dessa forma, não era de se estranhar que os folhetins tivessem sucesso: do lado do autor, em vez de ter que construir um novo universo cada vez que se sentava, continuar uma história em pedaços era ter a sobrevivência garantida sem dever nada à Sahrazad; do lado dos leitores, ficar preso a uma história que tem que continuar era muito mais estimulante para se comprar os periódicos do que somente o apreço pelo estilo de escrita do autor.

Essas escritas perderam espaço hoje. Temos, sim, e tivemos, várias histórias que perduram nos volumes no formato de tirinhas, muito mais palatáveis por já desenharem ao leitor o que ele devia rabiscar em sua cabeça. Temos também muitos colunistas, mais sérios, que resistem com o legado da emissão de opiniões, recheio das análises de texto e redações dos vestibulares. Mas já não se tem a prolificidade literária de outrora.

Ou se tem. Com o advento dos blogs, qualquer um com mais tempo livre em frente a um computador, e com paciência de redigir, tornou-se escritor, jornalista, colunista ou cartunista. Inclusive eu. Invertem-se alguns valores, pois antes tinham que escrever para ganhar, e aqui alguns podem ganhar para escrever, mas escreverão mesmo sem a prebenda – meu caso. Será que alguns ganharão notoriedade futura pelo que digitam nessas páginas? Não sei.

O que sei é que alguns textos daquela época já tinham essa cara de post de blog, especialmente os mais curtos e divertidos. Por essa razão, fico a pensar se não compensaria, pela honra desses imortais e satisfação das minhas neuroses, criar uma categoria “Folhetim” por aqui, em uma acepção tecnicamente imprecisa do termo, sem o compromisso das narrações emendadas, mas apenas designando textos com aquele ar de divertimento relativamente rápido.

Procurarei para ver se algo até já se encaixaria.

André.

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