Atores vemos, costumes não sabemos…

Há que se admirar certas coisas na arte de atuar. Sim, é louvável a capacidade de bons atores e atrizes de interpretar diferentes personalidades de forma tão convincente que nos desperta os sentimentos que normalmente se teria por pessoas com as características ressaltadas pelos personagens. Nesse ponto, cito os dois melhores vilões que já vi em telas: o Coringa e a Yvone. Fico arrepiado só de pensar o que seria do mundo se eles se juntassem. Culpa dos atores que, mesmo tendo feitos papéis tão diferentes como um cowboy homossexual e uma devotada muçulmana às voltas com sua filhinha se ocidentalizando (até se casar com o Pato, mas não vem ao caso), souberam encarnar o Mal com perfeição.

Mas uma outra coisa, recentemente, chamou minha atenção para essa classe. Se, por um lado, bons atores e atrizes conseguem colocar qualquer coisa na parte psicológica dos personagens, por outro são obrigados a emprestar a parte física para eles. Ainda que consigam moldá-la, dentro de certos limites, como alterações de corte e cor de cabelo, ou intensificação de massa muscular (vejam o Capitão América), fundamentalmente estão presos ao corpo com que nasceram. E não são incomuns cenas que foquem nos corpos.

Mesmo eu sendo um fã declaradamente fanático por Chaves, fico a pensar em tantas piadas sobre a gordura do Sr. Barriga e do Nhonho. O gordo é o ator, poxa! O mesmo valia pras pernas de saracura do Seu Madruga, pras baixas estaturas da Chiquinha e do Chapolin… Cada gracinha contra os personagens é, na verdade, direcionada para a carcaça emprestada pelo ator. E quando são crianças, então? Para os noveleiros de plantão, vemos como a Carminha detona a filhinha dela. Já pensou o psicológico da menina (a atriz, porque o da personagem vemos nas cenas)? O mesmo vale para o Jaime e a Laura de Carrossel, e até mesmo o Cirilo, toda hora discriminado por sua cor.

E aí está o outro ponto de admiração da atuação: não só impregnar o corpo com diferentes psicológicos, mas deixar que esses personagens absorvam tudo que porventura pudesse atrapalhar a vida dos artistas. É saber ‘desatuar’, desligar. Digamos que eu conseguisse fingir um personagem: com certeza eu não conseguiria voltar a ser eu mesmo deixando tudo que ele sofreu pra trás. E admiro quem consiga.

André

0 Responses to “Atores vemos, costumes não sabemos…”



  1. Deixe um comentário

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s





%d blogueiros gostam disto: