Ronnie Von da depressão

“<ALGUMA COISA> da depressão” é a versão Facebook do orkutiano “<ALGUMA COISA> with lasers”, né? As duas ideias se relacionam além de um complemento nonsense para um assunto x qualquer: são fórmulas de batismo de sites temáticos que agregam humor relacionado ao mote em questão.

As desoladas comunidades deram lugar às páginas, e, a essa altura, qualquer usuário que tenha colegas de profissão em sua lista de amigos já deve ter se deparado com compartilhamentos de piadas postadas nas inúmeras carreiras da depressão espalhadas pelo Facebook. No meu caso, conheci através da Vet da Deprê, mas logo achei todas as irmãs, inclusive as caçulas mais famosas: as que incluíram memes nos temas, como a Coruja e o Cão da Depressão, ou até o Velociraptor Filosófico (os nomes mudam um pouco, mas a regra se mantém), gerando uma fonte de piadas meméticas que facilitam as pessoas curtirem e compartilharem seu conteúdo.

E eis que resolvi criar um meme e sua página: Ronnie Von da depressão. O príncipe imortalizou um jargão ao responder com apenas uma palavra, concisa e incisiva, a dúvida existencial de um espectador, e o fato não foi ignorado pelo CQC, que destilou e concentrou toda a graça para apresentá-la em seus Top 5.

Mas, piadas à parte, será que a resposta procedia? Ou foi mais uma rotulagem para detectar a homossexualidade, um recurso aparentemente tão necessário para a sociedade? Resolvi brincar imaginando a mesma história, mas com uma situação diferente: vegetarianismo (embora eu seja um carnívoro assumido, já tive a minha fase meat-free de dieta, e sei como pegam no pé deles). Alguns recursos visuais amadores para ilustrar o texto e voilá, a primeira tira estava feita.

Claro, para que ela se torne um meme, ainda falta a viralização da figura e amplificação da ideia geral, com mais gente criando mais imagens, com outros assuntos que gerem dúvida e sempre recebam o “Significa.” como resposta do Ronnie.

Mas, só com a brincadeira inicial, já consegui me perguntar algumas coisas, como “Todo o passado de churrascos da pessoa vai ser ignorado assim?”, “E se a pessoa continua gostando de carne, a despeito do prazer que sentiu pela salada?”, “Só o fato da pessoa ter gostado de um prato vegetariano a torna vegetariana?”, “Não se é possível gostar da culinária vegetariana e da carnívora ao mesmo tempo? Se sim, será a pessoa apreciadora hostilizada pelas duas facções?” e “Resta à pessoa se assumir como ‘onívora’, que nada mais é do que uma outra rotulagem?”

Fazendo o caminho oposto ao da criação, ou seja, adaptando as perguntas ao texto original que se consagrou na rede, a resposta do Ronnie não parece tão imediata assim. Vale relembrar um post que escrevi em março, em que conceituei a discriminação como um processo classificatório – a priori sem riscos – mas com grande potencial para gerar e alimentar o preconceito. Rotular uma pessoa é querer atribuir a ela todas as características de um estereótipo com base em alguns marcadores. A própria dúvida existencial da pergunta nasce de um não enquadramento no pacote genérico que se espera de um gay, ou ele não estaria muito confuso.

Então, isso significa que o rapaz que procurou se aconselhar passou por um processo discriminatório? Significa.

André

PS – Aos que quiserem brincar com o meme, deixo aqui o arquivo que usei para criar as imagens da página. Apenas recortei um printscreen da apresentação de slides e obtive a figura.

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