Das listas: depletivos da qualidade de vida

Listas são sempre polêmicas. Esta não será exceção, fruto da pura subjetividade do autor. Por isso, sintam-se à vontade para enriquecê-la ou contrariá-la.

O dia a dia de todos possui altos e baixos, mas existem algumas situações que deterioram imediatamente a qualidade de vida. Não quer dizer que sejam coisas grandes, ou mesmo extremamente importantes, como fome e ignorância, mas muitas vezes besteiras que, quando ocorrem, fazem todo o resto perder importância até que a normalidade seja alcançada. Vamos a alguns itens.

picada de borrachudo: essa veio em primeiro por ser o que mais me aflige no momento. Levei uma picada no braço, que ficou dormente por cerca de 1h, quente por umas 5hs, e amanheceu dolorido. Precisei de prometazina em creme e em comprimido e de betametasona tópica para controlar;

torcicolo: você não sabe o quanto usa o pescoço até acordar com ele travado, não é? Não dá pra dirigir, cumprimentar as pessoas, responder quando chamam etc. sem parecer um robô duro que só articula a cintura;

cólicas: deixo a cargo das leitoras os relatos menstruais e uso aqui o conceito genérico de dor abdominal. Tirando a obviedade de diarreias e disenterias, que são prioridade sobre qualquer coisa, até desarmamento de bombas, ainda há aquelas incômodas constipações e cólicas gasosas. Quem nunca comeu algo suspeito no self-service e se viu depois, no serviço, tendo que segurar uma produção de metano em escala boliviana?;

dirigir com sono na estrada: faça uma viagem de 200km parecer que tem 1000, quando nem a adrenalina da consciência de que sua morte está a uma pescada ou piscada de distância consegue te manter alerta, e um mundo surreal de alucinações começa a aparecer no limiar entre a vigília e os sonhos;

dedo do pé machucado: você só descobre que seus pés não são iguais aos da Mônica ou da Magali no dia em que algum dos dedos está machucado, desde a topada no dedinho à unha encravada no dedão. Andar, então, vira uma arte de como não apoiar os malditos no chão;

coriza: poderia dizer genericamente “nariz entupido”, mas a coriza tem como agravante acabar com a sua dignidade, vazando e fungando, e quando você vê já está com o buço e as mangas da blusa cheios de casquinhas de meleca seca, mas estava em desespero demais tentando respirar para evitar a gafe estética;

carne presa entre os dentes: daqueles casos em que você só percebe como estava infeliz depois do grande alívio de passar o fio dental e ouvir aquele barulho surdo de “tuc“, quando a meia carcaça da vaca para de empurrar seus dentes para os lados; ponto para você que confere o cheiro dela a essa altura;

dor de cabeça: todos os sons e luzes do ambiente param o que estão fazendo e focam em apenas uma missão, que é agredir sua já latejante cefaleia, e a única saída é ignorar a aparência de antissocial e sem educação para procurar um local quieto e escuro;

soluço: uma boa crise de soluços, além de fazer da vítima um alvo de chacotas, ainda deixa um efeito residual terrível; não basta a raiva de soluçar incessantemente, quando finalmente para, você fica com a sensação, quase uma expectativa, à beira da saudade, do próximo “hick-up“, que não vem.

Quase toda lista da internet apresenta itens em múltiplos de 10, mas vou deixar pelos 9 mesmo. E aí, algo a acrescentar?

André

1 Response to “Das listas: depletivos da qualidade de vida”



  1. 1 Empatia de Arrhenius e de Brönsted-Lowry | Andy Moreno's Blog Trackback em 13/07/2015 às 3:25 pm

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