Exército – uma opinião

(Caso a ditadura volte um dia, espero ter tempo suficiente para tirar esse post do ar, caso contrário estarei bem ferrado.)

Em tempos de sufrágio, todo mundo é um pouco cientista político, economista, gestor público e adivinho. Eu não escapo à regra, e aproveito o contexto para expressar uma singela opinião sobre o que é, ao meu ver, um dos maiores desperdícios de dinheiro público que temos: o Exército. Digo exército, mas quero dizer as Forças Armadas como um todo, com a marinha e a aeronáutica no pacote.

Em primeiro lugar, temos um Ministério da Defesa, e não um Ministério da Guerra ou um Ministério do Ataque, o que permite supor que os milicos estão aí não para tomar a dianteira em questões geopolíticas, mas sim para manter a paz contra agressões externas. Não obstante, vira e mexe lá se vão os verdinhos para ajudar algum outro país. Não nego a benevolência da ajuda humanitária; ao contrário, acredito que a solidariedade é imprescindível para consertar um pouco do tanto que esse mundão tem de errado. Só acho que um fuzil não é o melhor jeito de socorrer famílias devastadas por terremotos, tsunamis, vulcões e outros flagelos olimpianos. Só falando…

Depois, e isso vem de morar perto de um quartel e acordar aos sustos nos finais de semana com frases ininteligíveis repetidas por um grandão e por grupos de educandos físicos, como “Ei-dou-rei-rei! – EI-DOU-REI-REI! – Nãrudãru-berei! – NÃRUDÃRU-BEREI! – Brasil!! – BRASIL!! – Brasil!! – BRASIL!!”, o que diabos eles estão fazendo aqui?!! O Ministério não é da Defesa? Contra o que eles estão nos defendendo aqui neste fim de mundo?!! Alguns certamente irão argumentar “Oras, eles estão treinando, para o dia que o inimigo vier.” Pelo tanto que vejo esse pessoal correndo, só posso dizer que, num caso de invasão, não tem ninguém mais preparado para fugir do que esses recos magrelos.

E aí você percebe como eles estão espalhados pelas cidades, e isso preocupa. Raciocinemos: se eles devem impedir invasões, por onde seríamos invadidos? Pelos vizinhos, temos as fronteiras terrestres. Por água, as fronteiras marítimas. Pelo ar, vão ter que passar pelas projeções dos outros dois, a menos que seja uma invasão alienígena (fosse o caso, convenhamos: não teríamos a menor chance). Então, melhor seria pegar todo (TODO) esse contingente e espalhar pelas fronteiras. Nas terrestres, o Exército. Nas marítimas, a Marinha. E a Aeronáutica sobrevoando ambas com um auxílio dinâmico de reconhecimento e inteligência. A Marinha e o Exército podem ainda se apoiar na monitoração fluvial da bacia do Amazonas, e outras de interesse estratégico, como locais de usinas. Podem montar postos próximos a plataformas petrolíferas e outras matrizes energéticas. Podem até ter uma guaritinha em Brasília, pela simbologia de defender o centro da União.

Que firmem parcerias com o Ministério da Agricultura, a Receita e a Polícia Federal e o Itamaraty, garantindo segurança na entrada de pessoas, animais e produtos, e prevenindo (ou defendendo de) entrada de drogas, armas, doenças e recursos humanos do crime. Que levem todos os selecionados do alistamento militar obrigatório para treinar nesses locais úteis; eles seriam convocados mesmo se surgisse uma crise. Aqueles alguns lá de cima podem ainda dizer “Mas e nas favelas do Rio? O exército foi importante na vitória contra o tráfico!” Sério que você quer um tanque de guerra passando na sua rua para se sentir protegido? Isso não é só um reflexo do fracasso do sistema policial, que deve ser o único a proteger a segurança pública nos tempos de paz?

Nosso país é gigantesco, vão ter trabalho suficiente para se entreter enquanto nos defendem. A menos que a preocupação seja mesmo estar no meio da população, para SE protegerem. Do povo. De novo.

André

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