Que trata de viagens, metafísica, espiritismo, Matrix, Mundo de Sofia, Lobsang Rampa, “e se”‘s e dá outras providências

Não sou a pessoa mais espiritualizada do mundo, mas gosto de aprender a dinâmica das crenças das pessoas. Quando não acrescenta mais nada, pelo menos serve de base para algum tipo de humor. Por exemplo, não existe maior pagão que um bom católico: ele trata imagens como se fossem as próprias entidades celestinas nas quais acredita (ou alguém realmente já parou pra pensar que o @SantoAntônioOficial, o lá de cima, não deve passar frio nem se afogar quando as solteironas inconformadas castigam suas estatuetas?), faz sinais, entoa mantras, acende velas, negocia sacrifícios e ritualiza um canibalismo do seu salvador (comer o corpo e beber o sangue? really?!).

Fora os símbolos: por que tanta gente usa brincos, anéis, pingentes, piercings, tatuagens etc. da cruz?! “A cruz é pra nos lembrar do sacrifício que Ele fez por nós.” Sim, isso eu entendo, e consigo entender as orações contritas perante o Big T, a cruzinha na ponta do terço ou rosário e por aí vai. Mas e os adornos, pelamor? Conseguem imaginar afrodescendentes ostentando grilhões de ouro nos pulsos para se lembrarem dos antepassados que sofreram com escravidão, ou judeus com brincos em forma de Auschwitz 18k cravejados nas baladas, em memória da perseguição de sua fé? É mais ou menos do mesmo jeito que eu, aqui de fora, enxergo. Mas divago…

Aliás, a razão de eu começar a escrever esse post está muito mais relacionada à divagação do que ao humor, o que já deve aliviar os leitores que perceberam por que não me aventuro no mundo dos stand-ups. Então, voltando à ideia de que não sou uma pessoa de grande fé, começo colocando um grande “E se…?” ao assumir a ideia espírita – espiritismo geral, sem rixa sobre se é da umbanda, do candomblé, do budismo, do hinduísmo, do Alan Kardeck, do David Luiz ou de quem for – de que um espírito continua a viver depois que o corpo morre. Acrescento ainda a justificativa dada de que a entidade faz isso porque precisa “evoluir” ou o termo que for que defina uma melhora progressiva de sua existência, reencarnando quantas vezes for necessário até que atinja o nível de XP para passar a um outro plano.

Considerando isso, por que então eles se dão ao trabalho de interagir conosco, ajudando ou atrapalhando? Se for mesmo parte do processo de aprendizado do “lado de lá”, como uma lista de tarefas e preparações de terreno antes de terem que voltar pra campanha terrestre, fico com mais dúvidas do que respostas. Primeiro: se existe essa sucessão de planos, inúmeros de onde viemos e inúmeros para onde vamos, não é petulância antropocêntrica demais achar que estamos no único ponto em que, para a evolução, é possível esse intercâmbio de informações, como galinha e cachaça pela pessoa amada?

Se sim, será razoável pensar que no além-vida as almas também recebam relacionamentos das instâncias superiores? Mais importante, então cadê nossas conversas com os estágios anteriores? E se elas já acontecem, dia após dia, minuto após minuto? E se, cada vez que criamos uma história, damos vida a seres, majores Knag de suas Sofias? Ou, cada vez que interagimos com uma história, por exemplo criticando e cobrando o andamento de uma novela ou série ou desenho, o espírito dos personagens é influenciado por encostos de audiência? Ou, na metafísica de minha fé, jogos e outras programações constantemente sofrem as oscilações de nossos humores olímpicos, matando o Mario para pegar um cogumelo ou alterando a sequência das próximas músicas do setlist no iTunes?

Se algo disso tudo fizer algum sentido, voltemos aos nossos orixás, espíritos de luz e oráculos: será que eles têm consciência do que fazem com a gente? Isso explicaria porque, às vezes, as mensagens carecem de clareza. A menos que, claro, … e se eu viajei demais?

André

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