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Reflexões Fezenistas IV – Entender-se por gente

Desde que eu me entendo por gente ouço essa expressão, “desde que eu me entendo por gente”. É uma daquelas definições de tempo indefinidas, que são um prato cheio para o tal do Present Perfect, para quem estudou formalmente inglês, mas não dizem muito sobre a quantidade de tempo acumulada por não terem um começo preciso. Em resumo, trata-se de um “faz muito tempo” modelado com uma carga de experiências pessoais e saudosismo: não serve como ligante nos parágrafos de uma dissertação de escola, mas funciona bem para chamar a atenção em desabafos e conversas de bar.

Mas, e se fôssemos tentar definir o momento de se entender por gente? Claro, ele é tão variável quanto o número de gente que se entendeu, e nem quero entrar no assunto psicológico e neurológico de quando as memórias de longo prazo se estabelecem, com que idade temos consciência dos nossos atos e tantos outros parâmetros técnicos que interessam aos estudiosos profissionais dessas áreas. Mas e se propuséssemos algo palpável ao público leigo, algum marco familiar, corriqueiro e ordinário, quiçá pouco nobre a muitos?

Minha proposta é a seguinte: a sua lembrança mais antiga de você limpando a própria bunda.

Argumento: limpar-se após uma cagada é a primeira manifestação de autonomia que uma pessoa pode demonstrar ao mesmo tempo em que lida com as consequências diretamente envolvidas no processo. Antes, ela cagava (o que por si só é sempre um feito), mas era outra pessoa que fazia o serviço inglório de trocar a fralda ou de se deparar com uma bunda suja virada para o alto, no topo de um ser dobrado ao meio que aguarda com uma paciência que nunca aparece quando se está em uma sala de espera ou de visita em alguma casa.

Dificilmente esse ser pode ser considerado gente, assim, em uma condição de submissão tão dependente. Mas quando essa pessoinha se torna capaz de manusear o papel de sua vida, adquire imenso poder e, consequentemente, responsabilidades. Primeiro, ela para de depender do tempo de terceiros, não precisando mais se dobrar enquanto outros terminam seus almoços para ver se se dignificam a demonstrar a boa vontade de libertá-la para seus demais afazeres.

Segundo, a criança (assumindo que esse aprendizado ocorra ainda na infância, mas pode ser que não, claro) aprende de forma empírica o conceito de controle de qualidade: pegou papel, limpou, papel sujo, pega outro papel e repete o processo; limpou, papel limpo, missão cumprida. Não te ensinam essa noção de procedimento operacional padronizado nas aulas de administração de forma tão clara.

Em terceiro vem o desenvolvimento da credibilidade. No início, as pessoas que já se entendem por gente vão querer conferir o serviço da pré-gente, mas estejam certos de que elas não vão estender essa fiscalização além do mínimo necessário para atestar a autonomia. Nada mais natural, é um ganha-ganha com liberdade para os dois lados. Uns podem até se ater um pouco na questão do rendimento e da ecologia do processo (quantidade de papel usada), nada que uma ou duas demonstrações de que economia porca gera mais retrabalho no futuro não resolvam.

Por fim, o pequeno indivíduo aprende a responsabilidade do peso de sua assinatura. Se trabalhar mal, a falha pode transparecer, e ele arcará com os efeitos sociais e profissionais de sua negligência. Saberá em pouco tempo que não adianta culpar quem quer que o tenha liberado: é como um profissional diplomado que quer responsabilizar sua instituição formadora, não dá mais, ela era responsável por você até você querer e provar que podia labutar sem ela. E uma calça da escolinha sem uma assinatura marrom é garantia de felicidade entre as crianças, acreditem.

Certamente há mais benefícios na proclamação de independência bundística, mas não adianta alongar suas citações quando o foco é justificar que, antes dela, não podemos ser considerados propriamente gente. Quem dirá, então, entender-se como uma? Se convenci alguém até aqui, talvez estejam a se perguntar quando foi que cruzaram essa linha histórica, e lhes digo que não se preocupem com isso. A proposta é que vocês se entendem por gente após a lembrança mais antiga de vocês limpando a própria bunda, certo?

Não precisa ser a primeira, ou a segunda, ou a décima. Mas de alguma lá atrás vocês se recordam, e muito provavelmente qualquer ato que queiram enfatizar em um diálogo como sabido “desde que vocês se entendem por gente” deve ser posterior a isso, e deve, ainda, demandar mais autonomia que isso, para se gabarem no colóquio. Então, relaxem e se resignem daquelas imagens, quase em terceira pessoa, que tinham de alguma travessura da tenra infância; vocês ainda não se entendiam por gente.

André

Reflexões Fezenistas III – Taoísmo aplicado ao Fezenismo

Conta-se que, na China antiga, um nobre visitou um monge em seu templo à procura de iluminação.

– Mestre, como faço para me disciplinar na leitura?

– Isso é simples, basta que leia no banheiro.

– Mas, mestre, isso é impossível! Como poderia me concentrar na leitura quando já tenho que me concentrar na cagada?

– Ah, mas aí é que está o seu erro. Uma cagada é algo natural, não exige concentração. Você não deve se concentrar em cagar, e sim não se concentrar em não cagar. Leia seus pergaminhos, reflita sobre eles. Quando aprender a se concentrar na leitura como se deve, então não terá atrapalhado o caminho natural da merda.

– … e de quebra ainda me livro da constipação. Mestre, o senhor é um gênio!

E saiu agradecido.

André

Reflexões Fezenistas II – “ué, cadê?”

Não sei se já lhes ocorreu um curioso fenômeno: o de perder a merda. Não, não me refiro àquela inusitada situação de correr para o banheiro com vontade e de repente ela passar, como aquele maldito espirro interrompido que entra para uma conta que você sabe que nunca será paga. Por mais desagradável que seja quando isso acontece, a questão hoje é um pouco mais literal, ou, pelo menos, sem a elipse da vontade.

Uma perda, em uma de suas acepções, se baseia em crer que algo está em um lugar, e não estar, quando procurado. Aqui, trata-se do evento de não encontrar a merda no vaso no momento da despedida, após todo o processo de limpeza, quando se tem certeza (ou quase certeza, efeito colateral da atenção desviada à prazerosa leitura, hábito sadio que certamente muito contribuiu para o nascimento de nossa escola filosófica) de a ter ali cagado.

Fica aquela dúvida, um pouco surreal, como um sonho invasor de uma rápida pescada no fim da tarde que se esvai deixando para trás a sensação de “será que aconteceu mesmo?” Mas o papel já se foi ao cesto (ou papéis? gastei muito? sujaram? não me lembro!), descuido de quem não sabia que a empreitada precisaria de documentos comprobatórios. Mas a angústia, e eis a beleza de tudo, não é essencial a ponto de revirar o lixo ou, pior, procurar alguma técnica que permita vasculhar a… límpida?… translúcida água atrás da suspeita fugitiva, de modo que não há o que fazer além de sair com uma feição culpada de quem pode ter ocupado o banheiro desnecessariamente.

Ou de relatar o ocorrido e esperar que outras almas já tenham padecido semelhante aflição.

André

PS – sobre o contrário, houve um post em meu facebook que dizia “pareço confiante mas sempre confiro o vaso quando a descarga não faz o ‘PROROLOLOLOL’ esperado no final”.

Reflexões Fezenistas I – dos aparadores

Toda vez que vejo uma alteração no tamanho do papel higiênico sou tomado por uma aflição.

Eu sei quanto é um metro – não é aquela sensação de analfabetismo como se as medidas viessem em pés e polegadas – mas não sei o quanto isso influi na utilidade perdida do produto. Os reguladores das relações de consumo até instituíram que a porcentagem alterada deva ser expressa na embalagem, podendo extrapolar que o uso diminua na mesma proporção, mas a ideia de “Quanto a menos posso cagar com este rolo?” ainda lateja.

Não seria melhor, por exemplo, se o tamanho do rolo viesse expresso em número de cagadas? Os senhores argumentarão, evidentemente, que cada merda é uma merda, que algumas exigem mais papel, e algumas menos, e que nem é algo linear para se medir – se uma cagamerdeira for muito intensa, posso dispensar o Alfredo e ir direto para o banho.

Não discordo. Mas, tal qual um pasto é uma oferta limitada de alimento para o gado e os animais lá colocados podem diferir na ingestão de acordo com seu tamanho e com a qualidade do capim, e a conclusão para isso foi a adoção da capacidade de unidades animais (UA) por área como medida de lotação, da mesma forma a utilidade dos rolos de papel higiênico poderia ser expressa em unidades fecais (UF), unidade ainda a ser definida por estudos qualitativos (textura e umidade, talvez aderência) e quantitativos.

Aí, quando eu me deparasse com um produto que confessasse uma “redução de x UF” (com sua porcentagem em seguida, obviamente), minha aflição se extinguiria… Talvez UB (unidades bostais), caso siglas homônimas se incomodassem com sua xará… não sei.

André

Paganismo racional

E se (e nunca me foi possível misturar ciência e religião num béquer de filosofia sem muitos “e se”‘s como catalisadores anfipáticos), e se o que a gente chama de descoberta científica não passa de uma pajelança?

Continuando a abordagem desendeusadora da ciência, gostamos de olhar para trás com escárnio das formas antigas de se explicarem as coisas. Como um trovão pode ser fruto da ira de Júpiter, do martelo de Thor ou da voz de Tupã quando sabemos que é apenas o barulho do ar deslocado por um relâmpago, que nada mais é do que um fenômeno elétrico? Podemos até usar o tratamento matemático Kratosiano (quem melhor que cálculos para matar deuses?) e fazer um monte de contas para saber à qual distância o raio aconteceu, com base no Δt entre o clarão e o barulho, certo?

Aliás, o conforto mental de se quantificar ou entender as coisas passa a falsa sensação de que temos algum tipo de controle sobre elas. Saber o quão longe estava um raio depois que ele cai não me impede de ser frito por um próximo. “Mas com a ciência conseguimos inventar o para-raios, que nos protege.” Sim, concordo, e não tiro o mérito das melhorias científicas, em absoluto. Mas estamos longe de controlar grandes fenômenos da natureza: vulcões, enchentes, terremotos, tsunamis, furacões, tornados, manchas solares… exemplos drásticos que, quando a Mãe Natura os invoca, contam-se as vítimas às centenas. Conseguimos, no máximo, alertas de fuga, que nada mais são que profecias apocalípticas às quais damos ouvidos.

E, mesmo entendendo COMO muitas coisas acontecem, nunca saberemos QUEM as realiza, se é que há alguém. E se a diferença de potencial elétrica entre nuvens, ou entre uma nuvem e o solo, é a forma que o Cronida tem de lançar seu corisco raivoso? E se o movimento de placas tectônicas é a forma que Atlas encontrou para que Njord pudesse surfar quando a Jaci não puxava ondas boas o bastante? E se doenças são o resultado de milhões de anos de experimentação da Peste em arrebanhar mais gente para o Averno? E se Caim, até então o quarto humano, continuou a linhagem ao cruzar com outra símia hominídea, suficientemente próxima geneticamente, em uma evolução convergente?

Se quem me lê ainda insiste na capacidade científica de previsão e adaptação, ainda que limitada, voltemos ao início: e se o que a gente chama de descoberta científica não passa de uma pajelança? Quando rimos de uma tribo que faz dança da chuva para invocar água (parênteses, até governantes já pararam de rir, fecha parênteses) por achar que basta a pulverização de nuvens com sal para iniciar a precipitação, esquecemos do mais amplo: se tem uma coisa que um deus tem, é tempo. E com o tempo vem o tédio. Novidades científicas não poderiam estimulá-los a nos dar o que desejamos?

O ritual de criar um avião, destilar a água para se obter cloreto de sódio, subir às alturas, encontrar uma nuvem e fazer a oferenda do sal não pode ser encarado como uma prece que agrada mais à entidade do que a monótona dança no solo, e por isso mesmo mais atendida, inclusive com repetibilidade? E se o ritual de ir a um médico, pegar uma prescrição de antibiótico, tomá-lo três vezes ao dia, durante sete dias (3 e 7, sério?), com aguinha para descer e, para os mais fanáticos, com o sacrifício da abstenção de álcool, é o cântico de súplicas que apaziguam Sekhmet? E se a resistência bacteriana a esses medicamentos não é simplesmente a forma progressiva dessa deusa evitar o tédio, nos forçando a novas mandingas, paper após paper?

Não há como saber. Não acreditar em um “quem” torna-se tão irracional quanto acreditar e, por isso, ao mesmo tempo crer é tão racional quanto descrer. E se você sentindo tanto incômodo ao ler isso se dever à invocação de Éris contida nessas linhas? Não há como saber.

André

Fundamentalismo científico

“Aí eu penso que tem gente que acredita tanto na ciência que mais parecem fundamentalistas de papers sagrados.”

Não que eu não goste da ciência; formei-me cientista, e por muito tempo sonhei em trilhar os caminhos da glória acadêmica, até que não mais, embora ainda viva de suas aplicações de forma bem direta. É um modelo, um bastante eficiente, para explicar situações da natureza e propor formas de intervir nelas. Mas ainda um modelo, que segue a proposição básica de “tudo se passa como se acontecesse desse jeito aqui”, mas não necessariamente, menos ainda absolutamente, as coisas acontecem do jeito pregado.

É como um sujeito que cai do alto de um prédio: um modelo vetorial diz que a força gravitacional acelera o infeliz até o chão, enquanto um modelo escalar diz que ele partiu de um estágio de maior potencial gravitacional para um menor. Dentro da própria ciência, dois modelos explicam seu desfecho de modos distintos, sem que, no entanto, isso importe para o caído no segundo em que ele toca o chão.

Mas os defensores de um ou de outro costumam dar as mãos para atacar modelos que não os científicos, geralmente com alegações que giram em torno da capacidade de se provar. Eis aí a pedra de fé científica, o Santo Graal dos laboratórios, o nirvana da papercracia: a prova, um deus que se manifesta de diversas formas, qualitativas (como bandas em gel ou detecções radioativas) e quantitativas (c.q.d.’s e p<0,05’s), capaz de levar seus fiéis a defender todo tipo de informação que os profetas autores (ou autores profetas?) publicam.

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E, como em qualquer outra fé, quando alguns profetas querem que seu deus diga uma coisa, seus oráculos vão encontrar um jeito de dizê-la, ainda que criando contradições no fluxo do tempo. E assim temos artigos que crucificam o ovo em uma cesta, para ressuscitá-lo divinamente com estudos de coorte ao terceiro dia.

Este não é um texto para ser usado por aí em defesa da religião, veja bem. Com a mesma facilidade com que vejo colegas cientistas me acusando de heresia, consigo imaginar outros tipos de fanáticos de alguma crença excitados com a ideia do “tá vendo? isso só acontece porque meu deus quer!” que não sai (nem sairá) da minha boca. Se a lógica normalmente me seduz, reconheço que falácias e induções podem corromper a compreensão de seres imperfeitos, eu incluso. E isso facilmente poderia gerar o alento de “ah, a ciência é a verdadeira fé, são alguns que a corrompem”, discurso que vemos amplamente por aí em outros setores, e com o qual concordo.

Fato é que, se as descobertas científicas nos ajudam, ao mesmo tempo são norteadas pelo desejo de fama e riqueza. No limite, ou você quer um Nobel, ou quer enriquecer com uma patente. Provavelmente os dois. Pouco provável que se aventurou nisso porque perdeu o sono ao não entender como aquela chaperona influenciava na ativação de complemento pela via clássica em gnus sadios criados no Estado de Sergipe. Nada de errado, considerando que pesquisadores são profissionais, e devem ter ambições como tais.

Mas a ciência em si não é um fim, e sim um meio, diferente do que pregam em muitas fés, as quais têm suas deidades como a busca fundamental. Por isso, não é sadio que a prepotência científica seja tão xiita quando tudo o que consegue dizer é “era isso” (confirma H0) ou “não posso dizer que era isso” (rejeita H0, o que é muito diferente de afirmar “não é isso”).

E se (e nunca me foi possível misturar ciência e religião num béquer de filosofia sem muitos “e se”‘s como catalisadores anfipáticos)… e se eu parar aqui e continuar em outro post?

André

Que trata de viagens, metafísica, espiritismo, Matrix, Mundo de Sofia, Lobsang Rampa, “e se”‘s e dá outras providências

Não sou a pessoa mais espiritualizada do mundo, mas gosto de aprender a dinâmica das crenças das pessoas. Quando não acrescenta mais nada, pelo menos serve de base para algum tipo de humor. Por exemplo, não existe maior pagão que um bom católico: ele trata imagens como se fossem as próprias entidades celestinas nas quais acredita (ou alguém realmente já parou pra pensar que o @SantoAntônioOficial, o lá de cima, não deve passar frio nem se afogar quando as solteironas inconformadas castigam suas estatuetas?), faz sinais, entoa mantras, acende velas, negocia sacrifícios e ritualiza um canibalismo do seu salvador (comer o corpo e beber o sangue? really?!).

Fora os símbolos: por que tanta gente usa brincos, anéis, pingentes, piercings, tatuagens etc. da cruz?! “A cruz é pra nos lembrar do sacrifício que Ele fez por nós.” Sim, isso eu entendo, e consigo entender as orações contritas perante o Big T, a cruzinha na ponta do terço ou rosário e por aí vai. Mas e os adornos, pelamor? Conseguem imaginar afrodescendentes ostentando grilhões de ouro nos pulsos para se lembrarem dos antepassados que sofreram com escravidão, ou judeus com brincos em forma de Auschwitz 18k cravejados nas baladas, em memória da perseguição de sua fé? É mais ou menos do mesmo jeito que eu, aqui de fora, enxergo. Mas divago…

Aliás, a razão de eu começar a escrever esse post está muito mais relacionada à divagação do que ao humor, o que já deve aliviar os leitores que perceberam por que não me aventuro no mundo dos stand-ups. Então, voltando à ideia de que não sou uma pessoa de grande fé, começo colocando um grande “E se…?” ao assumir a ideia espírita – espiritismo geral, sem rixa sobre se é da umbanda, do candomblé, do budismo, do hinduísmo, do Alan Kardeck, do David Luiz ou de quem for – de que um espírito continua a viver depois que o corpo morre. Acrescento ainda a justificativa dada de que a entidade faz isso porque precisa “evoluir” ou o termo que for que defina uma melhora progressiva de sua existência, reencarnando quantas vezes for necessário até que atinja o nível de XP para passar a um outro plano.

Considerando isso, por que então eles se dão ao trabalho de interagir conosco, ajudando ou atrapalhando? Se for mesmo parte do processo de aprendizado do “lado de lá”, como uma lista de tarefas e preparações de terreno antes de terem que voltar pra campanha terrestre, fico com mais dúvidas do que respostas. Primeiro: se existe essa sucessão de planos, inúmeros de onde viemos e inúmeros para onde vamos, não é petulância antropocêntrica demais achar que estamos no único ponto em que, para a evolução, é possível esse intercâmbio de informações, como galinha e cachaça pela pessoa amada?

Se sim, será razoável pensar que no além-vida as almas também recebam relacionamentos das instâncias superiores? Mais importante, então cadê nossas conversas com os estágios anteriores? E se elas já acontecem, dia após dia, minuto após minuto? E se, cada vez que criamos uma história, damos vida a seres, majores Knag de suas Sofias? Ou, cada vez que interagimos com uma história, por exemplo criticando e cobrando o andamento de uma novela ou série ou desenho, o espírito dos personagens é influenciado por encostos de audiência? Ou, na metafísica de minha fé, jogos e outras programações constantemente sofrem as oscilações de nossos humores olímpicos, matando o Mario para pegar um cogumelo ou alterando a sequência das próximas músicas do setlist no iTunes?

Se algo disso tudo fizer algum sentido, voltemos aos nossos orixás, espíritos de luz e oráculos: será que eles têm consciência do que fazem com a gente? Isso explicaria porque, às vezes, as mensagens carecem de clareza. A menos que, claro, … e se eu viajei demais?

André



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